16 de agosto, 2006 - 18h37 GMT (15h37 Brasília)
O gabinete de governo do Líbano aprovou o envio de tropas ao sul do país nesta quarta-feira. De acordo com as autoridades libanesas, o contingente, que deverá contar com 15 mil soldados, começará a se deslocar para a região ao sul do Rio Litani nesta quinta-feira.
O envio é um dos termos da resolução da ONU aprovada na última sexta-feira, que estipulou ainda o cessar-fogo entre Israel e o grupo militante Hezbollah, em vigor há três dias, e a presença de uma força internacional para monitorar a trégua.
É a primeira vez que o Líbano envia militares para a área de fronteira em décadas. A área tem ficado sob controle do Hezbollah.
Ainda não foi definido quais países participarão da tropa internacional, mas intensas negociações estão em curso na sede da ONU em Nova York. A entidade diz esperar que um contingente de três mil a 3,5 mil soldados seja enviado nas próximas duas semanas.
Contribuições
Embora nenhum dos 45 países que participaram das discussões da ONU tenha assumido um compromisso formal de contribuir militarmente para a força, espera-se que a França desempenhe um papel importante na força de paz.
O ministro do Exterior francês, Philippe Douste-Blazy, está em Beirute, onde deverá se encontrar com o primeiro-ministro do Líbano, Fuad Siniora, a fim de discutir as condições de uma eventual participação.
Os chanceleres de Turquia, Malásia e Paquistão também têm viagens previstas para a capital libanesa, o que leva a crer que eles também contribuirão para a força da ONU.
A ONU mantém atualmente dois mil homens no sul do Líbano, mas espera conseguir aumentar esse contingente para 15 mil.
Temor
A possível demora no envio das tropas internacionais faz aumentar o temor de enfrentamentos entre o Exército israelense e militantes do Hezbollah que possam prejudicar o cessar-fogo em vigor desde a segunda-feira.
Um alto funcionário da ONU disse esperar que, se a França concordar em liderar as tropas no sul do Líbano, outros países também confirmariam em seguida sua participação.
Algumas autoridades dizem que os países interessados querem mais garantias de que a situação na região permanecerá sob controle.
Um porta-voz do Ministério do Exterior austríaco também disse à agência de notícias Associated Press que a Áustria não participará da missão "na atual situação".
O chanceler Celso Amorim também disse em visita ao Líbano na terça-feira que o Brasil também não estava considerando enviar tropas para o país.
Retorno
No terceiro dia de vigência do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, até 250 mil pessoas que haviam deixado suas casas no sul do Líbano já retornaram à região, segundo a ONU.
Outras centenas de milhares de pessoas estão fazendo o caminho de volta.
A viagem de 80 quilômetros entre Beirute e a cidade costeira de Tiro, no sul do país, estaria levando 12 horas, apesar dos esforços do Exército libanês para consertar as estradas e pontes danificadas pelos bombardeios israelenses.
Organizações internacionais de ajuda humanitária também tentam enviar alimentos e medicamentos para as pessoas necessitadas na região.
O governo israelense diz que o sul do Líbano permanecerá inseguro até que o Exército libanês e as forças da ONU cheguem à região.
Do lado israelense, os moradores do norte do país que deixaram a região também estão retornando às suas casas.