15 de agosto, 2006 - 12h34 GMT (09h34 Brasília)
O ministro das Relações Exteriores da França, Philippe Douste-Blazy, viaja nesta terça-feira ao Líbano para discutir o envio de tropas de paz da ONU ao país após o cessar-fogo iniciado na segunda-feira.
A resolução do Conselho de Segurança aprovada na semana passada prevê a ampliação do contingente da ONU na região, dos atuais 2 mil homens, para 15 mil homens.
A França, que comanda a atual força de paz no sul do Líbano, deve manter um papel-chave na nova força ampliada.
Israel afirma que a retirada total de suas tropas no sul do Líbano somente acontecerá quando a força de paz da ONU chegar à região.
Muitos temem que uma possível demora no envio da força da ONU possa prejudicar o cessar-fogo, por conta de possíveis conflitos entre os soldados israelenses que permaneceram na região e guerrilheiros do Hezbollah.
Voluntários
Segundo a agência de notícias Reuters, diplomatas ocidentais dizem que o envio de um reforço inicial nas tropas da ONU de até 4 mil homens poderia ser iniciado na semana que vem.
Porém um alto diplomata ouvido pela agência em condição de anonimato disse duvidar de que haverá voluntários suficientes para completar o efetivo de 15 mil homens prometido para a força no sul do Líbano.
Na segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que a organização ainda espera por ofertas firmes de países que queiram contribuir com a formação da força de paz.
Cerca de 20 países interessados em participar da força se reuniram na segunda-feira para discutir como será a sua formação. Uma nova reunião foi marcada para a quinta-feira, a partir de quando os envios de soldados poderiam começar.
Resistências internas
Além da França, a Espanha e a Turquia estariam entre os principais colaboradores da força de paz.
Mas em uma declaração à TV local na segunda-feira, o governo da Turquia disse ter decidido esperar para confirmar o envio de soldados ao Líbano, desejando que a ONU aprove uma nova resolução para esclarecer o funcionamento da força de paz.
Outros países europeus, entre eles a Alemanha e a Itália, também manifestaram a intenção de contribuir na formação da força, mas enfrentam resistências políticas internas à idéia.
Malásia, Indonésia e Brunei também anunciaram disposição para participar da força da ONU.
A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, disse que discutirá o envio da força de paz na quarta-feira em um encontro com Kofi Annan.
Soldados libaneses
O governo libanês disse estar pronto para fazer seu papel em garantir a manutenção do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah.
Segundo o ministro da Defesa do Líbano, Elias Murr, 15 mil soldados libaneses deverão ser deslocados até o fim desta semana ao longo do rio Litani, onde termina a faixa ao sul do país que Israel quer manter livre de militantes do Hezbollah.
Murr disse que não é o trabalho dos soldados libaneses desarmar o Hezbollah. Porém ele disse ter confiança de que o grupo militante vai colaborar e deixar as áreas no sul do país que forem recebendo tropas libanesas ou da ONU.
O governo israelense diz esperar passar o controle de algumas áreas ao sul do país em um ou dois dias.