09 de agosto, 2006 - 20h21 GMT (17h21 Brasília)
Milhares de mulheres recriaram nesta quarta-feira em Pretória, na África do Sul, uma marcha histórica que se tornou um dos marcos da luta contra o Apartheid.
O evento ocorreu para celebrar os 50 anos da marcha original e para protestar contra o alto índice sul-africano de violência contra as mulheres, um dos maiores do mundo.
Segundo um estudo, uma mulher é assassinada por seu parceiro a cada seis horas. Além disso, estupros e abusos psicológicos são considerados comuns no país.
Líderes politicos e veteranas da marcha de 1956 participaram do evento.
Sucessão
Tanto a ex-mulher de Nelson Mandela, Winnie Madikizela-Mandela, como sua esposa atual, Graça Machel, estiveram presentes.
O presidente do país, Thabo Mbeki, falou à multidão quando esta chegou à frente da sede do governo.
"Apropriadamente para lembrar o aniversário de 50 anos da marcha, nós devemos enfrentar o sofrimento das mulheres e o abuso infantil", disse ele.
"Devemos defender a noção de que os direitos das mulheres são direitos humanos."
Mbeki já havia dito que desejava ver uma mulher o sucedendo em 2009.
Ativistas dos direitos femininos acusam o sistema judiciário do país de não ser imparcial para lidar das denúncias de abuso contra mulheres.
A passeata original, considerada uma das mais influentes contra o regime segregacionista, aconteceu em protesto contra uma lei que obrigava os negros a portarem documentos o tempo todo.
No dia nove de agosto de 1956, cerca de 20 mil mulheres se reuniram em Pretória, apesar da proibição contra aglomerações públicas não-autorizadas.
Muitas foram presas, mas o evento é considerado o ponto inicial da participação feminina na luta contra o Apartheid.