03 de agosto, 2006 - 18h57 GMT (15h57 Brasília)
O rei Abdullah da Jordânia criticou publicamente nesta quinta-feira e se disse "furioso" com os governos de Israel e dos Estados Unidos pelo conflito que acontece há quase um mês no Líbano.
Ele afirmou a jornais jordanianos que a continuação das hostilidades entre israelenses e o Hezbollah só vai servir para enfraquecer as vozes moderadas – como a dele – no Oriente Médio e transformar o grupo em herói na região.
Para ele, é preciso mostrar ser possível atingir algum objetivo no qual a população na região acredite na moderação – caso contrário, acredita ele, não vai haver outra opção senão rejeitá-la e adotar outros meios para defender os próprios direitos.
O monarca disse ainda que a tentativa israelense de destruir o grupo militante não vai resolver os problemas da região.
Para ele, a única forma de alcançar a paz é acabar com a ocupação israelense de terras árabes.
As críticas de Abdullah contra Israel e os Estados Unidos foram duras. Nas declarações publicadas pelo jornal popular em árabe Al-Rai e o independente Al-Ghad, americanos e israelenses deveriam admitir que a guerra não vai trazer nada mais do que problemas, violência e extremismo para o Oriente Médio.
Acordo de paz
O rei disse acreditar que, mesmo que Israel destrua o Hezbollah, outros grupos vão surgir no mundo árabe para ocupar o seu espaço, a não ser que os israelenses acabem com a ocupação de terras palestinas e façam um acordo de paz com os vizinhos árabes.
Nas palavras do soberano jordaniano, o assunto é "uma questão vital que precisa ser solucionada".
O rei Abdullah também afirmou que não vai haver solução para a crise no Líbano sem um acordo com o governo libanês. Ele insistiu em um cessar-fogo imediato, dizendo que a agressão de Israel ultrapassou qualquer limite.
Para o monarca, os Estados Unidos e Israel deveriam perceber que, enquanto houver agressão, vai haver resistência e apoio popular a essa resistência.
Embora tivesse criticado a captura de dois soldados israelenses pelo Hezbollah no mês passado, que foi usada como pretexto para o início do ataque de Israel contra o Líbano, ele se recusou a comentar se ainda culpava o grupo por ter arrastado o país para o conflito.
O rei Abdullah acrescentou que a Jordânia não vai participar de qualquer força de estabilização da região que for criada para estabelecer uma zona de controle no sul do Líbano.