02 de agosto, 2006 - 20h50 GMT (17h50 Brasília)
Um soldado norte-americano disse a uma corte militar que viu quatro pára-quedistas acusados da morte de três prisioneiros no Iraque sorrirem antes de disparar.
O soldado Bradley Mason disse que os três iraquianos foram capturados numa casa durante uma operação de busca em Thar Thar Canal, considerada uma base de militantes, no dia 9 de maio deste ano. Armas e munição foram encontradas no local.
Mason contou que o sargento Raymond Girouard havia lhe dito que o soldado Corey Clagett e o especialista William Hunsaker iriam matar os prisioneiros.
"Eles apenas sorriram", disse Mason. "Eu disse que não ia participar daquilo. Que era assassinato."
Mason não testemunhou a execução, mas disse ter ouvido os tiros. Os militares acusados disseram que os iraquianos tentaram fugir.
Semanas depois, quando o soldado Mason se preparava para testemunhar sobre o caso, o sargento Girouard teria feito ameaças: "Se você disser alguma coisa, eu te mato".
Assassinato premeditado
O sargento Girouard, o soldado Clagett e os especialistas Hunsaker e Juston Graber - todos da 101ª Divisão Aérea - foram acusados de assassinato premeditado e conspiração, entre outros crimes.
A divisão estava, na época, envolvida na Operação Triângulo de Ferro, que tinha o objetivo de descobrir insurgentes na província de Salahuddin e que prendeu centenas de pessoas.
Mason disse, durante seu testemunho, que as ordens dadas antes das operações de busca de 9 de maio foram para "matar todos os insurgentes homens".
As regras teriam sido criadas pelo Coronel Michael Steele, comandante de sua unidade, a 3ª Brigada de Combate.
Mason descreveu as operações como competições pelo maior número de assassinatos.
"Eu sei que ele (Steele) disse 'bom trabalho' depois que matamos um deles. 'Menos um terrorista'", contou Mason.
A acusação contra os quatro pára-quedistas é uma entre muitas outras em investigação no Iraque - entre elas, a da morte de 24 civis desarmados na cidade de Haditha, em novembro, que causou escândalo no Iraque.
Pela lei militar dos Estados Unidos, a condenação por assassinato premeditado pode levar à pena de morte.