02 de agosto, 2006 - 07h50 GMT (04h50 Brasília)
A cidade do México viveu na terça-feira seu segundo dia consecutivo de caos, depois que simpatizantes do candidato derrotado nas eleições presidenciais, o oposicionista Andrés Manual López Obrador, tomaram a avenida Reforma, uma das principais vias da cidade.
Obrador, que vem pressionando pela recontagem manual dos votos que, no dia 2 de julho, deram a vitória ao candidato oficial, Felipe Calderón, conseguiu ontem uma vitória simbólica.
As autoridades mexicanas concordaram em considerar a medida, que não está prevista na lei eleitoral.
Desde o início da semana, o centro da metrópole de 20 milhões de habitantes é palco de acampamentos que López Obrador descreveu como "pacífico".
"Não vamos apelar para a violência. Nem a rendição, nem a violência", disse López Obrador, ao caminhar entre as barracas onde muitos manifestantes passaram a noite.
Entre 500 mil e dois milhões de pessoas se reuniram na segunda-feira na praça do Zócalo, o coração da capital mexicana, para um comício do candidato derrotado.
Polêmica
O ministro do interior do atual governo, Carlos Abascal, pediu que o governo do Distrito Federal - encabeçado por Alejandro Encinas, um aliado de Obrador - intervenha no sentido de dissipar os protestos e devolver a ordem à capital mexicana.
Abascal qualificou os protestos de "ilegais", e afirmou que as autoridades têm a "responsabilidade de governar para todos".
Já um grupo de intelectuais que havia expressado simpatia pela desobediência civil de Obrador recuou em seu apoio.
"Parece-me uma insensatez", disse um deles, o escritor Carlos Monsiváis, a uma rádio mexicana.
Mas um dos aliados mais próximos de obrador, Jesus Ortega, disse à agência Associated Press que haveria mais "atos de desobediência civil".
O Tribunal Eleitoral do México tem até o final de agosto para decidir se os votos devem ser recontados.