31 de julho, 2006 - 01h40 GMT (22h40 Brasília)
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou por unanimidade uma declaração no domingo sobre o ataque de Israel na vila de Qana, no sul do Líbano, que matou pelo menos 54 civis, sendo 34 crianças.
A declaração afirma que o ataque causou “um choque extremo” e pediu que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apresente um relatório em uma semana que detalhe “as circunstâncias deste trágico incidente”. O documento diz ainda que o conselho "deplora essa perda de vidas inocentes".
Annan, segundo correspondentes internacionais, defendeu uma declaração mais forte, que pedisse por um fim imediato da agressão dos dois lados.
No entanto, o conselho não pediu um cessar-fogo imediato, algo defendido por vários países que participaram da reunião.
Os americanos se negaram a aceitar uma declaração com esse teor, preferindo uma que expressasse condolências e pedisse que sejam criadas as condições para “um cessar-fogo permanente e sustentável”.
Disputa
A declaração foi lida após uma reunião de emergência para discutir o ataque na cidade de Qana.
A representação da França chegou a circular um rascunho de uma resolução pedindo um cessar-fogo imediato no Líbano. No entanto, a visão americana acabou prevalecendo.
Os Estados Unidos disseram ainda que a secretária de Estado Condoleezza Rice vai voltar de Israel na segunda-feira para trabalhar numa resolução que permita o fim do conflito.
O governo americano – apoiado pelo governo britânico – argumenta que não existem condições para um cessar-fogo imediato porque o grupo Hezbollah continua com sua capacidade militar de atacar Israel a partir do sul do Líbano e porque ainda não existem as condições para o envio de uma força internacional que possa garantir o fim das hostilidades por parte do grupo xiita.
Annan e vários países – incluindo o Brasil – pedem por um fim imediato da agressão.
Após o ataque de domingo, o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, afirmou que os ataques à cidade de Qana são “crimes de guerra”.
Numa entrevista coletiva realizada antes da reunião da ONU, Siniora disse que não há possibilidade de negociações antes de um cessar-fogo.
“Não há lugar nesta triste manhã (de domingo) para nenhuma discussão antes que um cessar-fogo imediato e incondicional seja decretado e uma investigação internacional sobre os massacres israelenses no Líbano se inicie”, afirmou Siniora.
A visita a Beirute de Condoleezza Rice, secretária de Estado americana, foi cancelada depois do ataque.
Num encontro com Rice no sábado à noite, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou não estar com pressa de assinar uma trégüa, sem antes ter atingido seus objetivos com a ofensiva: destruir a capacidade do Hezbollah de atacar Israel a partir do sul do Líbano.
Ele disse que precisaria de algo entre dez e 14 dias para colocar um fim aos ataques.