31 de julho, 2006 - 03h32 GMT (00h32 Brasília)
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que a crise no Líbano pode levar o país a reavaliar sua resposta ao pacote de incentivos que nações ocidentais ofereceram ao país como forma de tentar convencê-lo a paralisar seu programa nuclear.
“Eventos no Líbano afetaram a nossa avaliação sobre (…) o pacote de incentivos. Devemos revisá-lo com cuidado”, afirmou o presidente iraniano.
Também no domingo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Hamid Reza Asefi, disse que o país pode abandonar o pacote de incentivos caso o Conselho de Segurança da ONU aprove uma resolução contra o Irã nesta segunda-feira.
“Se alguma resolução contra o Irã for aprovada amanhã (nesta segunda-feira), o pacote será deixado de fora da agenda (de discussão)”, afirmou ele.
As declarações foram as primeiras feitas por autoridades iranianas desde que circulou formalmente no Conselho de Segurança na sexta-feira passada um rascunho de resolução que dá até o final de agosto para o país parar com seu programa de enriquecimento de urânio.
Observadores acreditam que a resolução possa ser aprovada ainda nesta segunda-feira.
Também se referindo ao conflito no Líbano, o ministro disse que uma resolução contra o país iria levar “mais tensão à região”.
O Irã defende que tem o direito de ter um programa nuclear voltado para fins pacíficos e que, como parte desse programa, pode deter a tecnologia de enriquecimento de urânio.
Os Estados Unidos, entre outras nações, dizem acreditar que o objetivo do Irã é construir um arsenal nuclear e querem que o país paralise seu programa.
O Irã disse que iria responder ao pacote de incentivos oferecido ao país em troca do fim de seu programa nuclear no dia 22 de agosto. O pacote inclui incentivos econômicos, uma proposta de os Estados Unidos oferecerem uma parcela de sua tecnologia nuclear e fim de sanções, entre outros pontos.
No entanto, o Conselho de Segurança decidiu seguir com a discussão de uma resolução contra o Irã antes da resposta do país.