28 de julho, 2006 - 08h56 GMT (05h56 Brasília)
O Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou uma declaração expressando "choque e tristeza" pelas mortes de quatro de seus observadores em um ataque israelense no sul do Líbano na terça-feira.
O anúncio se segue a dois dias de conversações em que os Estados Unidos se opuseram a pedidos da China para uma condenação mais firme de Israel.
O ministro da Saúde do Líbano, Mohammad Khalifeh, disse que cerca de 600 civis morreram em ataques israelenses nos últimos 16 dias.
Cerca de 51 israelenses - 18 deles civis - foram mortos pela milícia xiita Hezbollah, desde que o conflito começou.
Segundo Khalifeh, praticamente um terço dos mortos estariam ainda sob os escombros de prédios bombardeados por Israel.
Israel acusou o Hezbollah de instigar a violência, depois que o grupo capturou dois soldados israelenses em uma incursão em território de Israel no dia 12 de julho.
"Perplexidade"
O Conselho de Segurança divulgou uma declaração expressando perplexidade diante da morte dos observadores depois de dias de intenso debate.
Devido à oposição americana, o esboço final da declaração foi significativamente diferente da versão apresentada inicialmente pela China e outros países.
Apelos para uma investigação conjunta de Israel e da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a morte dos observadores foram abandonados, assim como uma condenação direta de um "ataque deliberado contra funcionários da ONU".
O embaixador de Israel junto à ONU, Dan Gillerman, saudou a declaração "justa e equilibrada" do conselho.
Israel pediu desculpas pelas mortes, dizendo ter sido um acidente.
Representantes da ONU disseram que pediram a Israel uma dúzia de vezes para suspender o bombardeio perto do seu posto de observação horas antes de o prédio ter sido destruído.
Reservistas
Na zona de crise, Israel convocou três divisões de reservistas, que consistiria de 15 mil a 40 mil combatentes.
Uma nota de uma reunião do gabinete israelense disse que o seu envio só ocorrerá depois de aprovação "adicional".
Ministros disseram ainda que as atuais atividades militares não mudarão, apesar da aparente pressão da cúpula militar para a intensificação das operações em campo.
O ministro da Defesa israelense, Amir Peretz, disse que a operação militar de Israel vai continuar até o estabelecimento de uma faixa de segurança na fronteira, para o nde o Hezbollah não possa retornar.