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28 de julho, 2006 - 11h31 GMT (08h31 Brasília)

Após 29 mortos em dois dias, Israel sai do norte de Gaza

Após uma incursão que resultou na morte de 29 palestinos em dois dias, os soldados e tanques israelenses deixaram o norte da Faixa de Gaza nesta sexta-feira.

Os bombardeios teriam continuado durante a retirada. Mais de 70 de pessoas ficaram feridas.

Segundo funcionários de hospitais em Gaza, os soldados israelenses mataram um garoto e um militante do Hamas.

Bombardeios aéreos israelenses também destruíram uma pequena indústria metalúrgica e residências.

Motivo

O governo palestino fez um apelo contra a tática israelense de telefonar para civis palestinos e dizer que eles têm uma hora para deixar suas residências antes que estas sejam bombardeadas.

O porta-voz Ghazi Hamad classificou a tática de "guerra psicológica".

Na quinta-feira, cinco palestinos foram mortos em ataques, entre eles uma mulher de 75 anos cuja casa foi atingida em um dos bombardeios.

Os ataques recentes elevam o total de mortos desde o início da ofensiva de Israel na região, no fim de junho, para mais de 140. Um soldado israelense também foi morto neste período.

Israel diz que as operações visam a libertação do soldado Gilad Shalit, capturado por milícias palestinas, além de tentar impedir que foguetes sejam lançados contra o território israelense.

O soldado ainda não foi encontrado.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que esperar que Shalit seja libertado na semana que vem.

Finanças

A situação na Faixa de Gaza deixou de ser o centro das atenções no Oriente Médio depois do início dos ataques israelenses contra a milícia xiita Hezbollah, no Líbano.

Mas os territórios palestinos continuam passando por sérias dificuldades desde que as doações internacionais diminuíram drasticamente por causa da eleição do grupo Hamas para a liderança do governo.

O Hamas é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Européia, o maior doador de fundos para a região.

Nesta quinta-feira, a UE declarou estar supervisionando o envio de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, de forma a garantir que o dinheiro chegue diretamente aos beneficiários, sem passar pelo governo do Hamas.

A Autoridade Palestina tem tido problemas para pagar os salários de cerca de 160 mil funcionários públicos, o que afeta a sobrevivência de 1 milhão de palestinos, um quarto da população na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.