27 de julho, 2006 - 03h41 GMT (00h41 Brasília)
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um acordo para compartilhar tecnologia nuclear para uso pacífico com a Índia.
A proposta, aprovada por 359 a 68, deverá ser aprovada pelo Senado americano antes de sancionada pelo presidente George W. Bush.
O acordo oferece tecnologia nuclear tão desejada pela Índia, em troca de acesso a reatores civis indianos.
Críticos do acordo dizem que ele vai prejudicar iniciativas para o controle de armas nucleares, pois o governo da Índia se recusa a aderir ao Tratado de Não-Proliferação nuclear. Segundo eles, esta será a mensagem errada para enviar a países como o Irã, cujas ambições nucleares contam com a oposição americana.
Antes que ele se torne lei, os congressistas americanos precisam aprovar a exclusão da Índia de uma proibição de transferência de tecnologia nuclear a países que não concordam com inspeções internacionais plenas em suas instalações atômicas.
"Nova era"
O congressista democrata Tom Lantos disse que o acordo vai marcar uma grande mudança nas relações entre a Índia e os Estados Unidos, abrindo "uma nova era de respeito mútuo e cooperação".
O acordo reverte uma política americana de restringir a cooperação nuclear com as autoridades indianas não apenas pelo país não ser signatário do Tratado de Não-Proliferação (TNP), mas também por ter testado armas nucleares em 1974 e 1998.
Bush finalizou os detalhes do novo entendimento com a Índia ao visitar o país, em março passado.
Apesar da disposição de cooperação, as instalações ligadas a armas nucleares da Índia permanecerão vetadas aos americanos.
O Paquistão, vizinho e tradicional rival da Índia, pediu aos Estados Unidos tratem do que as autoridades paquistanesas dizem ser a necessidade legítima de energia nuclear para uso pacífico do país.
Correspondentes afirmam que há temores de que o acordo dos Estados Unidos com a Índia dê ensejo a uma corrida armamentista no Sudeste Asiático, com recentes notícias não confirmadas de que o Paquistão está construindo um novo reator nuclear para produzir plutônio para armas atômicas.