24 de julho, 2006 - 10h38 GMT (07h38 Brasília)
O julgamento do ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, recomeçou nesta segunda-feira em Bagdá sem a presença do ex-líder e de seus advogados.
Saddam foi levado ao hospital no domingo após uma greve de fome, que ele teria começado no dia 7 de julho em protesto contra o assassinato de seu advogado.
A sessão desta segunda-feira serviria para ouvir os depoimentos de dois réus, mas o único acusado presente, o meio-irmão de Saddam, Barzan Ibrahim al-Tikriti, recusou-se a aceitar o advogado indicado pelo tribunal.
Saddam e outros sete réus estão sendo julgados por crimes contra a humanidade.
No domingo, o promotor público Jaafar al-Moussawi disse que o ex-presidente, de 68 anos, estava sendo alimentado por um tubo.
O porta-voz do tribunal Raed Juhi disse que o estado de saúde de Saddam é estável.
"A saúde dele não deteriorou e ele estará no banco dos réus quando o tribunal decidir ouvi-lo", disse Juhi à agência de notícias AFP.
Maliki se reúne com Blair
Acredita-se que Saddam e outros três réus iniciaram a mais recente greve de fome há mais de duas semanas.
Eles protestam contra procedimentos do tribunal e também reivindicam mais segurança aos advogados de defesa.
Três integrantes da equipe de defesa foram assassinados durante o julgamento - o último foi o advogado Khamis al-Obeidi, morto a tiros em junho.
A acusação pede a execução do ex-presidente iraquiano e de outros dois réus pela morte de 148 pessoas durante uma represália na vila de Dujail, após uma tentativa de assassinar Saddam, em 1982.
Maliki em Londres
Em Londres, o primeiro-ministro britânico Tony Blair deve se reunir com o premiê do Iraque, Nouri Maliki.
A conversa deve girar em torno dos conflitos que ainda assolam o Iraque e das medidas que o novo governo iraquiano tomou para combater o problema desde que assumiu, há dois meses.
Apesar das introdução de novas medidas para zelar pela segurança na capital, Bagdá, ataques e bombardeios de insurgentes continuam tirando centenas de vidas na região.
Mas Maliki disse à BBC que pretende discutir também o bombardeio israelense no Líbano e que vai dar apoio a um apelo por um cessar-fogo e por negociações.