24 de julho, 2006 - 21h49 GMT (18h49 Brasília)
A Bolívia deve esperar até depois das eleições presidenciais brasileiras para pressionar o país a aceitar o aumento dos preços do gás natural.
Pelo menos é isso o que sugere, em entrevista ao jornal boliviano La Prensa, o ministro do Planejamento da Bolívia, Carlos Villegas.
Ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está evitando negociar preços com a Bolívia porque foi "alvo de duras críticas do setor conservador brasileiro", que achava que Lula tinha sido benevolente com a Bolívia depois da nacionalização dos hidrocarbonetos.
"Não convém ao governo boliviano ou à América Latina que Lula vá mal (nas eleições). Ele tem que ir bem porque isso significa um apoio a todos os países", disse ele ao jornal.
Aliado
O governo esquerdista de Evo Morales vê em Lula um aliado na região e estaria evitando forçá-lo a aceitar uma medida impopular como a alta no preço do gás natural vendido pela Bolívia, numa época delicada de campanha eleitoral.
Sugerindo que Lula aceitaria pagar mais pelo gás depois da reeleição, Villegas afirmou: "Depois das eleições, estou seguro, vão haver mudanças".
"Vamos continuar negociando, mas não podemos ser absolutistas. (...) Temos que levar em conta o contexto."
Villegas também afirmou que setores da sociedade brasileira chegaram a sugerir uma intervenção militar na Bolívia, depois que a nacionalização dos hidrocarbonetos fez os impostos sobre o gás subirem para 82%, com a Petrobras se tornando uma das empresas mais prejudicadas.
Encontro sem negociação
Lula e Morales se encontraram na sexta-feira passada durante a Cúpula do Mercosul, na Argentina, para falar de temas políticos e energéticos, mas não tocaram na questão dos preços do gás.
As negociações sobre o assunto entre a Petrobras e a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) começaram no dia 29 de junho.
A partir desta data, há um prazo de 45 dias para se chegar a um acordo ou a disputa terá de ser resolvida por uma arbitragem internacional.
No fim do mês passado, a Argentina concordou em pagar US$ 5 (cerca de R$ 11) por milhão de BTU (unidade térmica britânica) em vez dos US$ 3,35 que pagava anteriormente.
Para o Brasil, o aumento poderá ser ainda maior: de US$ 4 (cerca de R$ 7) para US$ 7,5 ou US$ 8 (cerca de R$ 17).