22 de julho, 2006 - 11h08 GMT (08h08 Brasília)
A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, e enviados de três países europeus tentam neste fim de semana uma nova saída diplomática para a crise entre Israel e o Hezbollah, que atinge o Líbano e países vizinhos.
Rice anunciou que viajará ao Oriente Médio neste domingo, enquanto os ministros das relações exteriores da França, Alemanha e Reino Unido já estão na região.
Além de se encontrar com líderes israelenses e palestinos, a enviada americana confirmou que participará de uma conferência internacional sobre o Líbano, que está sendo organizada pela Itália.
Em coletiva em Washington, Condoleezza Rice disse que “um cessar-fogo não é o suficiente”, pois as causas da violência não teriam sido alteradas.
Ela qualificou de “provocação inaceitável” as ações do Hezbollah, que há dez dias capturou dois soldados israelenses, e pediu que o grupo liberte os militares imediatamente.
Rice continuou defendendo o direito israelense de se defender, mas também pediu a Israel que evite ataques que possam fazer vítimas civis.
Na opinião dela, a presença do Hezbollah no sul do Líbano e a sua capacidade de atacar Israel é que são os verdadeiros motivos da instabilidade.
Poucas expectativas
As palavras de Condoleezza Rice sugerem que a enviada americana está reduzindo as expectativas criadas em torno de sua própria missão, disse o correspondente da BBC em Washington, Jonathan Beale.
Segundo o correspondente da BBC, não houve sugestões de que os Estados Unidos pressionarão seu aliado Israel para que encerre ou mesmo diminua os ataques.
Enquanto isso, os enviados europeus já levam a cabo tratativas no Oriente Médio.
No Cairo, o ministro do Exterior francês, Philippe Douste-Blazy, pediu um cessar-fogo imediato.
Ele disse que a existência do estado libanês está ameaçada pelos bombardeios israelenses.
O ministro britânico, Kim Howells, também está no Líbano.
Já o ministro do Exterior da Alemanha, Frank Walter Steinmeier, fará uma escala no Egito antes de desembarcar em Israel.
Em 2004, Steinmeier ajudou a costurar um acordo de troca de prisioneiros entre o Hezbollah e o Exército israelense.
Ajuda humanitária
Neste sábado, também chega ao Oriente Médio o coordenador de ajuda humanitária da ONU, Jan Egeland. Ele vai a Beirute avaliar a crise que atinge a população libanesa.
Egeland pediu a Israel que reabra portos e o aeroporto internacional de Beirute para o tráfego de ajuda internacional.
O governo israelense afirmou que respeitará corredores humanitários para o sul do Líbano.
Mais de 500 mil libaneses foram deslocados desde o início dos bombardeios.