12 de julho, 2006 - 07h24 GMT (04h24 Brasília)
Um ataque aéreo israelense nesta quarta-feira atingiu a casa de uma figura proeminente do Hamas, matando seis pessoas, entre elas duas crianças, de acordo com médicos palestinos.
Quinze pessoas teriam ficado feridas, incluindo o militante Mohammed Deif, um especialista na fabricação de bombas, que estava no topo da lista de procurados de Israel havia dez anos.
O Hamas afirma que Deif não estava em casa no momento do ataque, mas admite que outros líderes da organização estavam no local.
O prédio de três andares na cidade de Sheikh Redwan, ao norte da cidade de Gaza, foi completamente destruído.
O correspondente da BBC Alan Johnston diz que, apesar de as investidas contra alvos do Hamas serem freqüentes, a última vez que a força aérea israelense usou força suficiente para destruir um prédio inteiro em Gaza foi há três anos.
Fontes palestinas também informaram sobre um segundo ataque, que teria atingido um carro e deixado três pessoas feridas.
Avanço de tropas
Soldados israelenses e veículos blindados cruzaram a fronteira e chegaram à região central da Faixa de Gaza estendendo a ofensiva no território palestino.
Os soldados avançaram em áreas de fazendas a leste de Khan Younis, mas apenas por algumas centenas de metros, segundo o correspondente da BBC na Faixa de Gaza.
As forças israelenses já entraram em áreas do norte e do sul da Faixa de Gaza.
A grande operação visa libertar um soldado israelense capturado por palestinos e também impedir ataques com foguetes contra Israel.
Negociações
Mais de 50 palestinos e um soldado israelense foram mortos durante confrontos desde que o soldado israelense Gilad Shalit foi capturado por militantes palestinos durante uma operação em um posto de fronteira israelense no dia 25 de junho.
Os militantes, junto com o líder exilado do Hamas Khaled Meshaal, afirmam que Shalit continuará em seu poder até a libertação de prisioneiros palestinos mantidos prisões israelenses.
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, descartou negociações com o governo palestino liderado pelo Hamas, afirmando que o grupo militante é "uma organização terrorista".
Crise
Fontes israelenses afirmaram que Ehud Olmert e o ministro da Defesa Amir Peretz deram permissão para incursões "mais profundas" na Faixa de Gaza na terça-feira.
Existe o temor de que a operação militar possa desencadear uma crise humanitária na Faixa de Gaza, que já está enfrentando problemas devido ao embargo dos países ocidentais contra o governo liderado pela Hamas, que é visto por estes países como uma organização terrorista.
Informações da imprensa israelense afirmam que o estoque de produtos essenciais como farinha e óleo de cozinha deve se esgotar dentro de alguns dias a não ser que Israel abra as fronteiras e permita o transporte de mercadorias.
Israel retirou colonos e soldados da Faixa de Gaza em setembro de 2005 depois de 38 anos na região, mas manteve o controle do espaço aéreo e da maior parte da fronteira.