11 de julho, 2006 - 13h34 GMT (10h34 Brasília)
Cerca de 500 combatentes paramilitares somalis, leais ao último núcleo de uma aliança de senhores de guerra, se renderam nesta segunda-feira na capital Mogadício às milícias islâmicas. Eles entregaram todas as suas armas.
Os paramilitares, liderados por Abdi Qeybdid, combateram as milícias durante dois dias, deixando mais de 70 pessoas mortas.
Um correspondente da BBC disse que os Tribunais Unidos Islâmicos – que reunem os combatentes islâmicos – agora controlam 99% da capital, além de outras cidades importantes.
As milícias negam as acusações do governo local - apoiado pelas Nações Unidas -e dos Estados Unidos de que teriam ligações com o grupo terrorista Al-Qaeda.
Armas
O correspondente da BBC em Mogadício Mohamed Olad Hassan disse que a cidade está calma, após dois dias de trocas intensas de tiros. Os veículos voltaram a transitar pelo sul da capital.
Um dos comandantes paramilitares, Sugule Ali Yusuf, disse que o líder Qeybdid conseguiu fugir da cidade na noite passada. Seu paradeiro ainda é desconhecido. Há rumores de que ele esteja ferido em uma casa de Mogadício.
Pelo menos 30 carros armados com artilharia antiaérea foram entregues aos Tribunais Unidos Islâmicos.
“Eles estavam escondidos em diversos prédios, que estávamos bombardeando de tudo que é lado. Não havia outra opção para eles, só a rendição”, disse o militar Abdi-Shakur, dos Tribunais.
Os combatentes islâmicos estão procurando munições e armas escondidas em todas as casas próximas à antiga base de Qeybdid.
Abdi Qeybdid era integrante da Aliança Anti-Terror, uma aliança de senhores de guerra que controlavam Mogadício desde a queda do governo oficial em 1991. Acredita-se que a aliança recebeu apoio norte-americano ao longo dos anos.
Os outros membros da aliança fugiram da cidade ou se entregaram às milícias islâmicos.
Apenas algumas áreas próximas ao palácio presidencial ainda não estão sobre o comando islâmico. Lá, o ministro do interior do governo, Hussein Aideed, ainda resiste. Aideed não faz parte da Aliança Anti-Terror.
Na segunda-feira, o primeiro-ministro Mohammed Ghedi disse à BBC que o governo não vai negociar diretamente com os Tribunais Unidos Islâmicos, que teriam rompido um acordo de cessar-fogo.
A Etiópia, que apóia o governo somali, está preocupada com o avanço dos militantes islâmicos na Somália e teria atravessado a fronteira com 70 caminhões.