11 de julho, 2006 - 01h51 GMT (22h51 Brasília)
A votação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que ameaça impor sanções econômicas à Coréia do Norte foi adiada para dar mais tempo para negociações diplomáticas.
O Conselho de Segurança da ONU se reuniria para discutir as sanções devido aos testes com sete mísseis realizados pela Coréia do Norte na semana passada.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que o adiamento visa dar apoio às tentativas da China para diminuir a tensão na região.
A China, aliada tradicional da Coréia do Norte, enviou autoridades para Pyongyang para tentar resolver a crise.
China, Rússia e Coréia do Sul já afirmaram que são contra sanções econômicas.
Preocupações do Japão
"As pessoas que apresentaram esta resolução acreditam que a Coréia do Norte precisa receber uma mensagem da comunidade internacional, de que seu caminho atual tende a desordem e vai isolar o país", disse Rice.
"Mas acreditamos que a missão chinesa à Coréia do Norte promete e vamos deixar que se realize", acrescentou a secretária de Estado americana.
O Japão apresentou a proposta de uma resolução punitiva depois que a Coréia do Norte disparou sete mísseis balísticos em testes na semana passada.
O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, disse que seu país não iria insistir em uma votação para o rascunho de resolução na segunda-feira.
Koizumi acrescentou que o Japão quer enviar a mensagem mais clara possível para Pyongyang, e iria continuar pedindo uma votação o mais rápido possível.
"O vice-primeiro-ministro da China está a caminho da Coréia do Norte para tentar convencer o governo. Nestas circunstâncias não há necessidade de insistir em uma votação no dia 10 de julho", teria dito Koizumi à agência de notícias Reuters.
Vizinhos divididos
Os Estados Unidos pediram repetidas vezes à China que aumente a pressão sobre Pyongyang e convença a Coréia do Norte a voltar à mesa de negociações.
Mas o governo chinês não confirmou se vai tocar no assunto durante a visita de sua delegação, chefiada pelo vice-primeiro-ministro Hui Lyang.
Em Tóquio, depois de se encontrar com o ministro do Exterior japonês, Taro Aso, o enviado americano, Christopher Hill, disse que "a Coréia do Norte tem a escolha de continuar isolada ou se unir à comunidade internacional. Espero que eles façam a escolha certa".
O Japão e os EUA estão trabalhando conjuntamente no assunto, mas segundo analistas, está cada vez mais aparente que outras nações asiáticas não seguem a visão dos dois países.
Pouco depois de Christopher Hill ter deixado a Coréia do Sul, o governo criticou o Japão pela proposta de resolução que pede sanções econômicas contra a Coréia do Norte.
"Não há razão para uma resposta como a do Japão tão cedo, mas todas as razões para fazer o oposto", segundo um comunicado emitido pela presidência da Coréia do Sul.
O governo japonês respondeu dizendo que "é claro que o lançamento dos mísseis é uma ameaça ao Japão, e por isso é natural que respondamos com uma sensação de crise".
Tanto a China como a Rússia - que já expressaram oposição - tem poder de veto no Conselho de Segurança e, segundo fontes diplomáticas chinesas citadas pela agência de notícias Kyodo, Pequim poderia usar este poder.
Enquanto isso, a mídia da Coréia do Norte vem mantendo o tom agressivo e um comentário atribuído ao líder norte-coreano Kim Jong-il afirma que o país não faria concessões aos "agressores americanos".
Os diplomatas norte-coreanos também alertaram para uma resposta forte caso sejam impostas sanções.