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10 de julho, 2006 - 14h08 GMT (11h08 Brasília)

Advogados de Saddam ameaçam boicotar tribunal

O julgamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e outros sete réus recomeçou nesta segunda-feira em Bagdá com a ausência dos principais advogados de defesa.

A equipe está apresentando os argumentos finais, mas compareceu ao tribunal desfalcada, em protesto contra a falta de segurança, depois do assassinato do terceiro advogado do grupo de defesa.

Os advogados disseram que vão boicotar os procedimentos até que a segurança seja melhorada e que outras demandas, entre elas a investigação do assassinato de Khamis al-Obeidi, sejam atendidas.

Saddam e outros seis réus também não compareceram ao tribunal. Eles são acusados em conexão com o massacre de Dujail, em que 148 pessoas foram mortas nos anos 80, após uma tentativa de assassinato contra Saddam.

A promotoria pede a pena de morte para Saddam Hussein e dois outros réus.

Medo

A defesa deve apresentar seus argumentos durante dois ou três dias, depois dos quais os juízes vão decidir um veredicto.

O juiz chefe, Rauf Abdel Rahman, abriu a sessão afirmando sentir muito pelo assassinato de Al-Obeidi.

"Este tribunal condena fortemente qualquer ataque contra advogados ou contra qualquer um trabalhando nesta corte", disse ele.

O advogado Najib al-Nueimi, da defesa, disse à agência de notícias Associated Press, que "todo mundo está com medo".

Os advogados de defesa pediram que o julgamento seja adiado para permitir mais tempo para a preparação dos argumentos finais, que teria sido prejudicada pela morte de Al-Obeidi e pela falta de segurança.

"Nós todos fomos ameaçados", disse al-Nueimi. "O que você espera que façamos? Os advogados fecharam seus escritórios, se esconderam a mandaram suas famílias para a Jordânia".

O juiz Abdel Rahman disse que recebeu os pedidos da defesa, mas ignorou-os, segundo a agência de notícias AP.

Segundo ele, outros advogados foram apontados para substituir os ausentes.