10 de julho, 2006 - 10h51 GMT (07h51 Brasília)
O ex-presidente sérvio Milan Milutinovic e outros cinco ex-membros do governo sérvio durante o conflito de Kosovo, em 1999, começaram a ser julgados no Tribunal Internacional de Crimes de Guerra, em Haia.
O procedimento dá continuidade aos trabalhos do tribunal, quatro meses após a morte do ex-presidente Slobodan Milosevic em sua cela, em meio a um processo semelhante.
Os seis ex-membros do governo sérvio são acusados de perseguir, assassinar e deportar milhares de albaneses que faziam parte da maioria étnica da província.
Para a correspondente da BBC em Haia, Geraldine Coughlan, o julgamento é central para estabelecer responsabilidades sobre os incidentes em Kosovo, já que a morte de Milosevic pôs termo ao seu processo.
Repressão
Em 1999, sob o comando de Milosevic, o governo sérvio intensificou suas ações para reprimir a população albanesa na província autônoma de Kosovo.
Com o surgimento do Exército pela Libertação de Kosovo (ELK) - em meados dos anos 90 - e dos ataques contra a polícia sérvia, o conflito se agravou.
A violência resultou na deportação forçada de “milhares e milhares” de albaneses, nas palavras do advogado de acusação, Thomas Hannis, assim como a destruição de seus locais sagrados.
Lentidão
O julgamento está programado para ser concluído até 2010, mas esses prazos já estão ameaçados, diz a correspondente da BBC.
A acusação afirmou que precisará de pelo menos um ano para submeter suas evidências, enquanto a defesa deve tardar pelo menos o mesmo tempo.
Junto com o ex-presidente Milutinovic, estão no banco dos réus o ex-premiê iugoslavo Nikola Sainovic, o ex-chefe do exército sérvio Dragoljub Ojdanic, e três outros acusados.
No dia 11 de março, o ex-presidente Slobodan Milosevic foi encontrado morto em sua cela, aparentemente por “causas naturais”, segundo o tribunal.
Milosevic era acusado de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade pelo papel que teve liderando a Sérvia durante as guerras na Bósnia, na Croácia e no Kosovo.