08 de julho, 2006 - 06h59 GMT (03h59 Brasília)
O ex-primeiro-ministro do Timor Leste, Mari Alkatiri, foi intimado a comparecer a um tribunal do país, devido à acusação de que montou milícias para eliminar opositores políticos.
Alkatiri nega a acusação e se recusa a atender à convocação, sob alegação de que possui imunidade por ser membro do Parlamento.
No final de junho, Alkatiri havia sido intimado a depor pelo procurador-geral timorense, mas também se negou.
As acusações contra o ex-premiê se devem a informações dadas por um de seus aliados próximos, o o ex-ministro do Interior Rogério Lobato, que foi acusado de distribuir armas a milícias civis, supostamente a pedido de Alkatiri.
Renúncia
O ex-premiê renunciou ao cargo no mês passado, após ter recebido críticas de que teria sido o responsável pela onda de violência que atingiu o país em maio.
A revolta popular começou logo depois que o ex-primeiro-ministro ordenou a demissão de 600 soldados que reclamavam de discriminação étnica dentro das Forças Armadas.
Gangues de jovens começaram a se enfrentar nas ruas da capital, Díli, casas foram queimadas e centenas de milhares de pessoas deixaram tudo para trás para fugir da violência, antes que tropas da Austrália, Nova Zelândia, Portugal e Malásia chegassem ao país para conter o conflito.
Novo premiê
Ainda neste sábado, o presidente do Timor, Xanana Gusmão, iria se encontrar com representantes da Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (Fretilin), o partido governante do país, para indicar um novo primeiro-ministro.
O cargo permanece vago desde a renúncia de Alkatiri.
Entre os nomes cotados para substituir o ex-premiê está o ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1996, José Ramos Horta.