05 de julho, 2006 - 15h38 GMT (12h38 Brasília)
O embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas, John Bolton, pediu uma forte reação da entidade em relação aos testes de mísseis da Coréia do Norte.
Ao deixar a reunião, Bolton disse à emissora americana CNN que nenhum dos membros do Conselho de Segurança defendeu a atitude da Coréia do Norte e disse que houve apoio ao seu pedido.
“Espero que o Conselho dê um sinal unânime e forte para um ato inaceitável”, dissera Bolton antes da reunião
Logo depois, todos os membros do conselho expressaram preocupação com o comportamento norte-coreano.
A Coréia do Norte realizou testes com mísseis de longa distância que, segundo os Estados Unidos, caíram pouco depois de seus lançamentos.
Provocação
O ato foi uma “provocação”, segundo os Estados Unidos, e o Japão já anunciou que deve adotar sanções econômicas contra o governo norte-coreano.
Tóquio, capital do Japão, seria facilmente atingida por eventuais ataques da Coréia do Norte e o estado americano do Alasca também pode ser alcançado.
O premiê japonês, Junichiro Koizumi, afirmou que a Coréia do Norte não ganhou nada com os testes e exortou o diálogo para a resolução da crise.
A China também expressou profunda preocupação, por meio de seu embaixador Wang Guangya.
Guangya afirmou que o teste era “lamentável” e que seu país apoiará medidas a serem tomadas pelo Conselho, ainda que não tenha precisado quais seriam.
Militares do Japão e da Coréia do Sul entraram em estado de alerta, e as ações nas Bolsas de Valores dos dois países sofreram quedas.
Soberania
A reação da comunidade internacional não intimidou a Coréia do Norte, que disse entender que os testes são uma questão de soberania nacional, segundo a imprensa do Japão.
O correspondente da BBC em Seul Charles Scanlon disse que o governo de Pyongyang (capital da Coréia do Norte) tem se sentido ignorado e sob pressão nos últimos meses, com a recusa americana em negociar suas exigências em relação a armamento nuclear.
Os Estados Unidos responderam que a questão não é entre os dois países e que não permitiria que a Coréia do Norte fizesse a questão um assunto bilateral.
O porta-voz da Casa Branca disse que o ponto-chave é fazer os norte-coreanos retornarem às conversações multilaterais.
Segundo analistas, os testes diminuem muito as possibilidades de reinício das negociações.