05 de julho, 2006 - 10h07 GMT (07h07 Brasília)
A Coréia do Norte teria testado um sétimo míssil, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo. O lançamento, realizado às 17h22, (5h22, horário de Brasília), teria acontecido pouco após os norte-coreanos haverem testado seis mísseis no Mar do Japão.
Segundo as autoridades japonesas, a série de testes realizada no Mar do Japão pelos norte-coreanos tem graves implicações para a segurança nacional e regional e exige uma resposta dura. O ministro do Exterior do Japão, Taro Aso, disse que é muito possível que o seu país imponha sanções econômicas à Coréia do Norte.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu em caráter de urgência nesta quarta-feira a pedido do Japão para discutir o lançamento de mísseis pela Coréia do Norte e no início do encontro, os Estados Unidos já deixaram claro seu descontentamento.
Segundo John Bolton, embaixador norte-americano, o Conselho de Segurança deve mandar um “sinal forte e unânime” contra um ato “inaceitável”, classificado por ele de "uma provocação".
Anteriormente, o governo americano havia dito que a Coréia do Norte tinha lançado pelo menos seis mísseis em um intervalo de horas e poderia estar se preparando para disparar outros.
A China também expressou profunda preocupação, por meio de seu embaixador Wang Guangya.
Guangya afirmou que o teste era “lamentável” e que seu país apoiará medidas a serem tomadas pelo Conselho, ainda que não tenha precisado quais seriam.
Até o Alasca
As armas incluem um míssil Taepodong-2 que, em teoria, pode ser capaz de atingir o território americano. Estima-se que ele tenha um alcance que vai de 5 mil a 6 mil quilômetros, podendo chegar ao Alasca, Havaí e partes da costa oeste dos Estados Unidos.
De acordo com autoridades americanas, o míssil de longo alcance aparentemente falhou cerca de 40 segundos após seu lançamento. Os outros projéteis cairam no mar.
Segundo a Casa Branca, o presidente americano George W. Bush conversou com seus representantes diplomáticos e assessores de defesa sobre os mísseis e decidiu enviar um emissário para consultar os seus aliados no Extremo Oriente.
O governo da Coréia do Sul realizou uma reunião de emergência para discutir o assunto. O secretário de Segurança da Coréia do Sul, Suh Choo-Suk, afirmou que a Coréia do Norte deve "interromper atividades provocativas".
O primeiro-ministro da Austrália, John Howard, afirmou que os testes são completamente contrários aos interesses da Coréia do Norte.
Alerta
Os países vizinhos dos Estados Unidos e da Coréia do Norte estavam em alerta nos últimos dias devido a suspeitas de que o governo da Coréia do Norte estaria se preparando para lançar o Taepodong-2 da base de lançamento de Musudan-ri, no nordeste do país.
Antes do lançamento, o governo do Japão advertiu o governo do Coréia do Norte, de que o lançamento do míssil seria uma provocação.
Na segunda-feira, o governo da Coréia do Norte afirmou que lançaria um ataque nuclear "aniquilador" se suas instalações nucleares sofressem um ataque preventivo americano.
O governo americano rejeitou a ameaça afirmando que era "profundamente hipotética" e pediu que os norte-coreanos voltassem às negociações a respeito de suas atividades nucleares. As negociações envolvendo seis países foram paralisadas em 2005.
A Coréia do Norte aceitou a proposta do Japão de uma moratória dos testes de mísseis em 2002 e esta moratória foi reafirmada em 2004.
O último teste de míssil de longo alcance da Coréia do Norte ocorreu em 1998, quando lançou o Taepodong-1, sobre o norte do Japão.