04 de julho, 2006 - 18h57 GMT (15h57 Brasília)
O presidente ugandense Yoweri Museveni garantiu anistia ao líder rebelde Joseph Kony caso se chegue a um acordo de paz.
Museveni garante que dará a anistia independente das acusações que pesam contra ele na Corte Criminal Internacional, em Haia, na Holanda.
As negociações entre Kony, líder do grupo Exército de Resistência do Senhor, e o governo de Museveni, são consideradas a melhor chance de paz para o país em muitos anos.
Joseph Kony é o primeiro da lista da Corte Criminal Internacional e responde por 33 acusações diferentes.
Numa entrevista dada recentemente à BBC, Kony negou ter cometido atrocidades, especialmente contra crianças, e se disse um “guerreiro pela liberdade”.
Em duas décadas de conflito, dezenas de milhares de pessoas foram mortas e cerca de dois milhões de pessoas foram desalojadas de suas casas na região norte de Uganda.
As negociações estão agendadas para a semana que vem, na cidade sudanesa de Juba, com a mediação do governo do Sudão.
‘Terrorismo’
Num comunicado, Museveni disse que garante a anistia caso Kony “responda positivamente às negociações e abra mão do terrorismo”.
Segundo o presidente de Uganda, as acusações da Corte Criminal das Nações Unidas não têm autoridade moral para conduzir o processo, uma vez que não conseguiu capturar Kony quando teve chance para isso.
Segundo a correspondente da BBC em Nairóbi, Karen Allen, a observação de Museveni é uma crítica à decisão da ONU de não atacar as forças de Kony quando elas se moveram para a República Democrática do Congo em 2005.
À época, a ONU tinha no Congo a sua maior força de paz em atividade.
A correspondente da BBC também afirma que a posição de Museveni deve despertar a ira de vários governos e entidades na comunidade internacional.
O LRA (sigla em inglês para Exército de Resistência do Senhor) tem um longo histórico de acusações no conflito, como o de cortar lábios e orelhas de civis, além de seqüestrar crianças para usar como soldados e escravos sexuais.
Kony classifica as acusações como sendo “propaganda”.
No ano passado, o Coordenador do Escritório para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jan Egeland, disse que o grupo de Kony praticava “o pior tipo de terrorismo possível” e que o conflito em Uganda era a pior crise humanitária do planeta.