01 de julho, 2006 - 16h02 GMT (13h02 Brasília)
O governo do Iraque libertou neste sábado mais 495 prisioneiros, na sua maioria sunitas, em uma tentativa de promover a reconciliação no país.
Com esta nova leva, chega a 3 mil o número de prisioneiros libertados das prisões iraquianas e das controladas pelas forças americanas nas últimas semanas.
Estima-se que ainda haja cerca de 12 mil prisioneiros sob custódia da coalizão liderada pelos Estados Unidos no Iraque. A maioria deles não foi acusada formalmente.
Os detentos libertados haviam sido presos nos últimos meses sob suspeita de envolvimento com a insurgência, mas nenhum deles é suspeito de ter participado de atentados, assassinatos ou seqüestros.
Maus tratos
Eles foram transportados de ônibus para a principal estação rodoviária de Bagdá, onde foram recebidos por seus parentes.
Um deles contou à agência de notícias Reuters disse que foi preso por engano, e que o tratamento nas prisões é inaceitável para qualquer muçulmano.
"Eles me obrigaram a tirar todas as minhas roupas e ficar nu, e eles (os soldados) puseram seus pés na minha cabeça. Eles me levaram para a prisão de Bucca de olhos vendados e mãos algemadas. Não havia nem água nem comida", disse Talib Jawad à Reuters.
A anistia para prisioneiros que não sejam suspeitos de crimes graves é um elemento chave no programa de reconciliação nacional proposto pelo primeiro-ministro Nuri al-Maliki na semana passada.
O embaixador americano para o Iraque, Zalmay Khalizad, elogiou a decisão do governo e afirmou que mais prisioneiros poderão ser soltos.
"Nós estamos preparados, em consultas com as autoridades iraquianas, para libertar mais prisioneiros no futuro e adotar outros passos concretos que facilitem a reconciliação", disse ele.
"Enquanto o governo iraquiano levar esses passos adiante, poderá contar com o apoio do governo americano."
A minoria sunita era privilegiada durante o regime Saddam Hussein, e agora calcula-se que ela esteja por trás da maioria dos grupos insurgentes no Iraque.