30 de junho, 2006 - 07h46 GMT (04h46 Brasília)
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se recusou a abandonar os tribunais militares para julgar os detidos na prisão de Guantánamo, em Cuba.
O governo americano sofreu um golpe na quinta-feira, quando a Suprema Corte decretou que o governo não tinha autoridade para decidir sobre os tribunais.
Imediatamente após a decisão, senadores do Partido Republicano começaram a planejar um meio de conseguir o apoio do Congresso para os tribunais.
A decisão da Suprema Corte, considerada um marco na justiça do país, foi tomada no caso onde um ex-motorista de Osama Bin Laden, Salim Ahmed Hamdan, pedia a anulação de seu julgamento.
O desfecho do apelo de Hamdan não significa que o centro de detenção vá ser fechado imediatamente, nem que os prisioneiros tenham de ser libertados.
Mesmo assim, a sentença, que diz que os procedimentos oficiais violaram a Convenção de Genebra, foi um duro golpe para o governo.
Hamdan é um dos 10 detentos de Guantánamo que está enfrentando um tribunal militar.
Ele quer passar por um julgamento civil ou uma corte marcial, onde a acusação teria de enfrentar mais obstáculos.
O correspondente da BBC em Washington, Nick Miles, disse que as implicações da decisão da corte são profundas, uma vez que todos os tribunais militares e outros 60 agendados não serão concluídos.
Salim Hamdan já tinha recebido parecer favorável de um juiz em uma ação anterior, em que ele alegava ser prisioneiro de guerra.
Contudo, o governo norte-americano negava a condição de prisioneiro de guerra e consequentemente, negava que estivesse infringindo a Convenção de Genebra.
Para o governo Bush, Hamdan é um “combatente inimigo”.
O caso foi para a Suprema Corte porque o governo tinha saído vencedor da Corte de Apelações.
Bush disse que vai levar o veredicto bem a sério, mas afirmou que "o povo americano precisa saber que esta decisão, segundo a entendo, não vai fazer com que assassinos sejam mandados para as ruas".