30 de junho, 2006 - 12h17 GMT (09h17 Brasília)
A campanha para as primeiras eleições na República Democrática do Congo em 45 anos foi iniciada nesta sexta-feira.
A polícia na capital, Kinshasa, usou gás lacrimogêneo para dispersar um protesto da oposição contra a forma com que as eleições do dia 30 de julho estão sendo organizadas.
Os partidos políticos estão reunidos para discutir suas preocupações, mas o partido do presidente Joseph Kabila não está participando do encontro.
Kabila, de 35 anos, assumiu o poder em 2001 depois do assassinato de seu pai, Laurent-Desire Kabila. Ele é o candidato mais forte, de acordo com uma pesquisa de opinião, segundo a qual 21% dos moradores da capital ainda não decidiram em quem vão votar.
32 candidatos
Depois de anos de conflito, que acabou em 2003, 32 candidatos vão competir com Kabila no primeiro turno.
A eleição marca o retorno dos "mobutistas" - partidários do ditador Mobutu Sese Seke, derrubado em 97 depois de governar o antigo Zaire por 32 anos.
Mobutu morreu, mas seu filho Nzanga Mobutu, tem bastante apoio no norte.
O maior partido de oposição, no entanto, é o União para a Democracia e Progresso Social (UDPS), de Etienne Tshisekedi, que chegou a pedir o boicote à eleição, que considera pouco transparente.
O candidato do partido é Antoine Gizenga, de 80 anos, que voltou do exílio de mais de 30 anos, depois de ter sido vice-primeiro-ministro no primeiro governo após a independência da Bélgica.
Foram os seus partidários que saíram ás ruas de Kinshasa pedindo a reabertura do registro de eleitores e acabaram enfrentando a polícia.
O acesso à mídia também tem sido muito maior para Kabila do que para os outros candidatos.
As Nações Unidas e a comunidade internacional estão organizando as eleições e garantindo segurança. Mas rebeldes continuam ativos no leste do país.