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25 de junho, 2006 - 07h41 GMT (04h41 Brasília)

Ataques contra o Talebã matam mais 48 no Afeganistão

O exército afegão informou neste domingo que 48 membros do Talebã foram mortos em um único ataque no sábado contra o bairro de Panjwayi, em Kandahar, no sul do país.

O ataque faz parte da maior operação contra a milícia desde a guerra em 2001.

O número de integrantes da milícia, que controlou o país de 1996 a 2001, mortos nas últimas duas semanas chega a 149, sendo que 113 morreram nos últimos três dias.

A operação batizada de Mountain Thrust está sendo conduzida em conjunto pelo exército afegão e pelas as forças de coalizão lideradas pelos Estados Unidos.

O Talebã – que governava o Afeganistão até ser deposto pela guerra iniciada pelos Estados Unidos – se reagrupou em 2003 e voltou a atuar em várias partes do país, principalmente no sul.

"Filhos da terra"

As recentes mortes ocorrem poucos dias após o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, ter criticado a estratégia de combate ao Talebã adotada pela comunidade internacional.

"Não podemos aceitar que tantos afegãos estejam morrendo em meio a combates. Nas últimas três ou quatro semanas, de 500 a 600 pessoas foram assassinadas. Mesmo sendo Talebãs, são filhos desta terra", disse Karzai, em entrevista coletiva na quinta-feira.

O presidente afegão argumentou que a estratégia de "caçar" militantes não atinge as raízes do terrorismo.

"Devemos nos engajar estrategicamente para desarmar o terrorismo, cortando suas fontes de financiamento, treinamento, equipamento e motivação", declarou.

Tropas estrangeiras

Na quinta-feira, no mesmo dia em que Karzai expressou seu descontentamento com a estratégia anti-talebã, foi divulgado na internet um vídeo em que o segundo homem na hierarquia da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, conclamava os afegãos a engrossar as fileiras da resistência e a desafiar os "invasores" do Afeganistão– referência às tropas ocidentais presentes no país desde 2001.

Hamid Karzai responsabilizou Al-Zawahiri pelo recrudescimento da violência.

"Ele é, antes de tudo, inimigo do povo afegão, e, então, inimigo do resto do mundo. Nós no Afeganistão o queremos preso e levado à Justiça."

No início de junho, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) anunciou que vai levar adiante um plano de quase dobrar o número de soldados no Afeganistão.

Os novos planos prevêem que a força militar passe de 9,7 mil para 17 mil soldados nas próximas semanas.