25 de junho, 2006 - 14h54 GMT (11h54 Brasília)
O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, apresentou ao Parlamento neste domingo em Bagdá o esperado plano de reconciliação nacional que tem como objetivo combater a onda de violência que atinge o país desde a queda de Saddam Hussein.
O plano de 24 pontos prevê a anistia de prisioneiros – excluindo autores de crimes graves como os integrantes da Al-Qaeda–, desarmamento de milícias, indenização a vítimas da coalizão, além de uma série de medidas.
O ministro da Defesa da Grã-Bretanha, Des Browne, elogiou o plano do primeiro-ministro iraquiano como um "grande passo à frente", mas observou que a oferta de anistia pode ser "arriscada".
O embaixador do Estados Unidos no Iraque, Zalmay Khalilzad, conclamou os insurgentes a baixarem suas armas e aceitarem o plano de al-Maliki.
Para o diplomata americano, o programa de reconciliação nacional será difícil de ser implementado no curto prazo, mas, no longo prazo, é a "medida estratégica certa".
"Novo Iraque"
Chegou a se especular – antes da divulgação das propostas– que o plano traria algum tipo de cronograma para a retirada de tropas estrangeiras do país.
A proposta não traz detalhes do tipo, mas indica a preocupação do governo com o assunto ao determinar planos para desarmar as milícias e fortalecer as forças armadas para que seja possível assumir o controle militar do país.
Maliki, que tomou posse em 20 de maio, já falou várias vezes da necessidade de substituição de militares da coalizão por iraquianos no controle do país.
A iniciativa foi bem recebida pelo líder da maior coalizão sunita no Parlamento, Adnan al-Dulaimi.
"Eu conclamo todos os iraquianos a apoiar o plano porque ele é o primeiro passo na direção da segurança, da estabilidade e da construção de um novo Iraque", disse o líder da coalizão que representa os três principais partidos sunitas.
Adnan al-Dulaimi pediu que o processo de libertação de prisioneiros ocorra o mais rápido possível e pediu o fim imediato de todos os ataques contra civis.
O plano oferece anistia a prisioneiros iraquianos envolvidos com a insurgência que não tenham cometido crimes graves.
Para avaliar esses casos, serão criados comitês com poder de oferecer a libertação dos prisioneiros que se encaixarem nos critérios do governo.
Indenização
O primeiro-ministro tentou deixar claro que a anistia não deve ser vista como um "prêmio para assassinos ou criminosos", explicando que não há lugar no Iraque para radicais islâmicos e ex-partidários de Saddam Hussein que estejam no centro da insurgência.
O projeto prevê também indenização de ex-prisioneiros e de parentes de vítimas das forças iraquianas e da coalizão.
Entre as propostas, está também a revisão da situação de integrantes do partido Baath, que governava o país durante o regime de Saddam Hussein e que foram expulsos da vida pública com a deposição do governo.
Ex-integrantes do partido e também do exército iraquiano, que perderam seus empregos e posição na sociedade, acabaram se envolvendo com diferentes grupos que compõem a insurgência iraquiana.
Para supervisionar o processo, será criada uma comissão com escritórios em todas as regiões do país.