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23 de junho, 2006 - 15h27 GMT (12h27 Brasília)

Festa de acordo de paz na Somália termina em caos

Um cinegrafista sueco foi morto durante as comemorações do acordo de paz da Somália, quinta-feira na capital Mogadíscio, trazendo cenas de caos à manifestação.

Um correspondente da BBC afirma que um homem armado atirou no coração do cinegrafista, no meio da multidão.

O acordo de paz foi fechado no Sudão entre o governo interino e o grupo islâmico que controla Mogadíscio.

Os dois lados concordaram em reconhecer o outro e cessar as hostilidades, mas alguns temas importantes continuam sem resolução.

Interferência

De acordo com o correspondente da BBC que estava na comemoração, líderes dos tribunais islâmicos criticaram a vizinha Etiópia pela interferência do governo etíope em assuntos internos dos somalis.

O cinegrafista teria sido morto quando eles queimavam uma bandeira etíope.

Houve pânico, apesar dos apelos de calma.

Não está claro se o cinegrafista morto era alvo, mas correspondentes afirmam que o assassinato vai afetar a União dos Tribunais Islâmicos, que afirma ter restaurado a segurança em Mogadíscio.

Temas sem resolução

O acordo de paz não faz menção à questão da presença de forças de paz. O presidente interino, Abdullahi Yusuf, quer forças de paz de volta, mas a União de Tribunais Islâmicos não.

Também não ficou decidido se o grupo islâmico vai participar do governo.

Os dois lados voltam a conversar no dia 15 de julho para tentar chegar a um acordo sobre os pontos pendentes.

O acadêmico Mohamed Ali Ibrahim, que integrou a equipe de negociadores do movimento islâmico em Cartum, no Sudão, disse que a União dos Tribunais Islâmicos não tem interesse em tornar o país um porto seguro para militantes.

"Não há extremismo na Somália e não há elementos terroristas. Qualquer um pode vir aqui conferir", disse.

A União de Tribunais Islâmicos controla o sul do país e o governo interino, com sede de Baidoa, a 200 km ao norte de Mogadíscio, controla o norte.

A pressão internacional é grande para que os dois lados cheguem a um acordo e consigam estabelecer o primeiro governo nacional e efetivo em 15 anos.