22 de junho, 2006 - 09h32 GMT (06h32 Brasília)
O Senado americano deve votar nesta quinta-feira duas propostas do partido Democrata que prevêem a retirada das tropas americanas do Iraque.
Uma delas propõe que os últimos soldados deixem o país até julho do ano que vem e a outra planeja uma retirada gradual iniciada neste ano, mas não oferece um prazo para a saída final do Iraque.
Atualmente 127 mil soldados ainda estão a serviço do Exército dos Estados Unidos no país.
A discussão acalorada sobre o assunto no Senado indica que o debate vai ter uma forte influência nas eleições para o Congresso daqui a quatro meses.
Os republicanos acusam os democratas de serem "fracos contra o terrorismo" e dizem que o fato de terem sido apresentadas duas propostas mostra a divisão dentro do partido.
Já os membros do partido Democrata acusam os republicanos de "seguir o presidente Bush cegamente" num conflito que está se provando cada vez mais impopular com os eleitores americanos.
De acordo com o correspondente da BBC em Washington Andy Gallacher, tanto republicanos como democratas estão tentando lucrar politicamente com o assunto, mas ele acredita que é improvável que alguma das propostas seja aprovada no Senado.
Eleições
Mesmo que não ganhem a votação no Senado, os democratas acreditam que as propostas podem levá-los a conseguir mais votos nas eleições para o Congresso, já que a guerra do Iraque está perdendo o apoio da população.
"É hora de decidir o que é mais importante, uma estratégia para ganhar a guerra no Iraque ou uma estratégia para que os republicanos ganhem as eleições em casa", disse a senadora democrata de Nova York, Hillary Clinton.
Os republicanos se opõem a qualquer retirada de tropas do Iraque, alegando que isso poderia desestabilizar o novo governo iraquiano.
"Retirar nossas tropas antes de os iraquianos terem a capacidade de se defenderem seria encorajar o terrorismo, incentivar a Al-Qaeda e ameaçar a segurança americana", afirmou o senador republicano John Warner, da Virgínia.
Para o republicano John Cornyn, do Texas, "a política de retirada e derrotismo, de simplesmente desistir, não serve bem à nossa nação".
Mas os democratas dizem que George W. Bush não foi bem-sucedido em delinear um plano para o futuro do Iraque.
"Não podemos continuar comprometidos sem saber quando será o fim (da guerra no Iraque)", afirmou o ex-candidato do partido à presidência, John Kerry.
Na semana passada, a Câmara dos Representantes americana aprovou uma moção apoiando a maneira como o presidente Bush está lidando com a guerra no Iraque e rejeitando a adoção de um prazo final para a retirada das tropas do país.
Tropas americanas
Em meio ao debate nos Estados Unidos, a violência no Iraque continua.
O Exército americano anunciou nesta quinta-feira que quatro fuzileiros navais americanos foram mortos esta semana.
Três deles morreram quando o veículo onde estavam foi atingido pela explosão de uma bomba na província de Anbar, oeste do Iraque.
O quarto fuzileiro foi atingido por tiros durante uma operação de segurança na mesma província.
Mais de 2,5 mil soldados americanos morreram no Iraque desde a invasão que tirou Saddam Hussein do poder em 2003, a maior parte deles durante ataques de insurgentes.