21 de junho, 2006 - 11h08 GMT (08h08 Brasília)
A Venezuela qualificou como “vergonhoso” um suposto plano norte-americano para barrar suas aspirações a uma cadeira rotativa no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A estratégia norte-americana de pressionar países sul-americanos para votar contra a escolha da Venezuela foi sugerida em uma reportagem do jornal Los Angeles Times. Segundo o diário, Washington teria vendido caças F-16 ao Chile, mas condicionado o treinamento dos pilotos chilenos a um voto contrário ao país de Hugo Chávez
Os Estados Unidos negaram a veracidade da matéria, rechaçando qualquer pressão sobre o governo de Michele Bachelet. Mas o porta-voz norte-americano, Adam Ereli, afirmou que há “melhores candidatos” que a Venezuela para a vaga.
A reação venezuelana foi expressa pela vice-ministra de Relações Exteriores, Mari Pili Hernández, que respondeu que os Estados Unidos “não têm moral” para manifestar-se contra a candidatura venezuelana à vaga no CS, porque “violaram resoluções do próprio Conselho de Segurança”.
A vice-ministra disse ainda que os Estados Unidos estão “preocupados que um país pequeno como a Venezuela possa se posicionar contra o império com dignidade e força”.
Batalha na ONU
A mais recente tensão entre os governos de Washington e Caracas se refere à disputa entre Venezuela e Guatemala por uma das dez vagas rotatórias – além das cinco permanentes – no Conselho de Segurança da ONU. Observadores consideram que a batalha servirá como medida para o apoio ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, na região.
A escolha será feita entre os países latino-americanos. Enquanto sul-americanos como Brasil e Argentina já demonstraram preferência pela Venezuela, países centro-americanos se mostram mais inclinados a apoiar a vizinha Guatemala. O país eleito ocupará o posto por dois anos a partir de janeiro.
Adam Ereli disse que a Guatemala é um candidato “excelente”, por participar em operações de paz. “Guatemaltecos derramaram seu sangue pela ONU. Acreditamos que são um forte candidato, e merecedores de apoio.”
Se os países sul-americanos não chegarem a um consenso sobre quem ocupará a vaga no CS, o assunto será levado à Assembléia Geral da ONU.