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21 de junho, 2006 - 13h07 GMT (10h07 Brasília)

Presidente pede a renúncia do primeiro-ministro no Timor

O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, pediu a renúncia imediata do primeiro-ministro Mari Alkatiri.

Gusmão fez o pedido em uma carta enviada ao premiê, em que ele diz que Alkatiri deve renunciar ou corre o risco de ser deposto.

O correspondente da BBC no Timor, Jonathan Head, disse que a decisão do primeiro-ministro é aguardada para esta quinta, conforme informou o seu porta-voz.

De acordo com a agência de notícias Lusa, Gusmão disse que perdeu a confiança no primeiro-ministro depois de ver um documentário australiano que afirmava que Alkatiri fornecia armas para civis.

No programa, o ministro do interior de Alkatiri, Rogério Lobato, é acusado de recrutar e armar uma milícia paramilitar para tentar eliminar rivais políticos.

O premiê diz que a acusação é falsa e procuradores timorenses dizem que não há provas de que haja envolvimento de Alkatiri no caso.

“Estou certo de que até o presente momento não há nenhuma prova concreta que envolva o primeiro-ministro”, disse o procurador-geral Longuinhos Monteiro em entrevista à agência AFP.

Renúncia

Vincente Maubucy Ximenes é um dos políticos do Fretilin, partido do primeiro-ministro, que estão pedindo a renúncia de Alkatiri

Segundo Ximenes, vários outros membros do Fretilin também querem a saída de Alkatiri.

“Pedimos ao presidente para suspendê-lo [Alkatiri] do cargo de primeiro-ministro e formar um governo de transição até a eleição do ano que vem”, disse Ximenes.

Jorge Teme, membro do comitê central do partido, tem opinião similar.

As críticas ao governo de Alkatiri se intensificaram em virtude da sua incapacidade de controlar a onda de violência que assola o país desde o final de maio.

O governo timorense solicitou ajuda internacional para restaurar a ordem e uma força de paz de 2.200 soldados está no Timor.

A crise, que já deixou pelo menos 21 mortos, é considerada a mais grave desde que o Timor Leste conseguiu a sua independência da Indonésia em 1999.

A violência foi desencadeada pela demissão de centenas de soldados timorenses, em março, depois de uma greve em que eles denunciaram supostos casos de discriminação.