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19 de junho, 2006 - 16h20 GMT (13h20 Brasília)

Italianos podem julgar soldado dos EUA à revelia

Procuradores italianos estão pedindo que um soldado seja julgado por matar um agente da inteligência italiana, em Bagdá, no ano passado.

Nicola Caliparo, de 51 anos, foi morto a tiros em um posto de controle, quando escoltava a jornalista italiana Giulliana Sgrena, que havia sido libertada por seqüestradores no Iraque.

A Itália e o governo americano discordam sobre as ciscunstâncias da morte de Caliparo.

Os procuradores italianos querem que o fuzileiro naval americano, Mario Lozano, seja julgado pelo assassinato de março de 2005.

Versões conflitantes

O advogado indicado por um tribunal italiano para defender Lozano disse que espera que seu cliente seja julgado à revelia por assassinato e tentativa de assassinato.

No ano passado a Itália publicou um relatório sobre o incidente, que não coincide com a versão dos fatos apresentada pelos Estados Unidos.

O relatório culpa o estresse e a inexperiência dos soldados e afirma que as autoridades americanas deveriam ter sinalizado a aproximação do posto de controle.

E nega a afirmação dos militares americanos de que eles não sabiam que uma missão italiana estava no país para assegurar a libertação segura de Sgrena, já que a missão havia ficado hospedada em alojamentos seguros em uma área controlada pelos Estados Unidos.

Os italianos também afirmam que o carro estava a 40 ou 50km/h, enquanto que os americanos afirmam que o carro estava a 80km/h. Para os americanos, foi o fato do carro estar correndo que assustou os soldados.

Os juízes italianos afirmam que estão se concentrando no exame balístico do carro.

E dizem que o carro foi atingido em três rajadas. Foi a terceira, quando o carro estava parando, que atingiu o espião italiano.

A decisão dos procuradores italianos nesta segunda, deve colocar ainda mais tensão na relação entre os dois países, segundo o correspondente da BBC em Roma, Christian Fraser.

O governo italiano já disse que sua intenção é retirar as tropas do Iraque no final deste ano, e alguns dos comentários feitos pelo governo sobre a situação no país teriam irritado a Casa Branca, afirma Fraser.