18 de junho, 2006 - 18h31 GMT (15h31 Brasília)
Carregamentos diários de armas estão chegando à Somália em violação ao embargo de armas das Nações Unidas, segundo afirmou neste domingo à BBC o coordenador do Grupo de Monitoramento da ONU, Bruno Schiemsky.
A afirmação foi feita no mesmo dia em que a agência de refugiados da ONU advertiu de que os problemas humanitários na Somália podem aumentar “tremendamente” se não for encontrada uma solução pacífica para o conflito no país.
O governo de transição está sob crescente pressão da milícia islâmica que já controla a capital, Mogadíscio, e que já controla grande parte do centro e do sul do país.
A Somália está lutando para se recuperar de 15 anos de anarquia e violência que deixaram o país sem um governo efetivo desde a derrubada de Siad Barre, em 1991.
Ofensiva
Segundo Bruno Schiemsky, o fluxo de armas para o país cresceu substancialmente desde que os rebeldes islâmicos intensificaram sua ofensiva, neste mês.
Ele advertiu de que é apenas uma questão de tempo até que os membros da União de Cortes Islâmicas entrem em combate contra as tropas do governo.
A União Africana fez um apelo neste domingo para que a comunidade internacional renove seu apoio ao governo de transição.
Relatos independentes indicam ainda que tropas etíopes cruzaram a fronteira com a Somália e se dirigiram à cidade de Baidoa, a base do governo somali de transição.
Negociação
O líder da União das Cortes Islâmicas da Somália, Sharif Sheikh Ahmed, disse à BBC que seu movimento está preparado para abrir negociações com o governo de transição, sem pré-condições.
Ahmed disse acreditar que os somalis deveriam resolver suas diferenças através de negociações.
A comunidade internacional, por meio do Grupo de Contato Somali, vem pressionando as Cortes Islâmicas a iniciar um diálogo de paz.
Mas o presidente Abdullah Yusuf diz que as Cortes Islâmicas precisam interromper seu avanço, desmantelar suas milícias e reconhecer o governo interino antes de iniciar um diálogo de paz.