18 de junho, 2006 - 09h28 GMT (06h28 Brasília)
Mais de 5 milhões de catalães estão votando em um referendo que oferece mais autonomia para a região da Catalunha.
O referendo é histórico, segundo o primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero.
Apesar da espectativa ser de baixo comparecimento às urnas, as últimas pesquisas de opinião apontam para a aprovação da proposta que transforma a Catalunha em nação e vai fazer da região uma das mais independentes da Europa.
O projeto vai permitir que os catalães decidam como gastar os impostos recolhidos na região, que fica no nordeste do país, e decidir suas próprias políticas de imigração.
A proposta tem o apoio do governo espanhol, do governo socialista catalão e de nacionalistas moderados, mas é criticado pelo Partido Popular, conservador, e por militantes de esquerda, que querem total independência para a Catalunha.
Separatistas
Menos de um sexto da população espanhola vive na Catalunha, mas a região é responsável por um quinto do total da economia do país.
O referendo é a última etapa de um processo que começou em setembro de 2005, quando o parlamento catalão aprovou uma nova versão de Estatuto - o documento que define a relação e a divisão de poderes políticos entre a Espanha e a Catalunha.
O governo espanhol apoiou a iniciativa, mas o Partido Popular lidera a campanha pela rejeição do referendo.
Correspondentes afirma que não há tanta simpatia pela mudança na Espanha em geral, que a vê como uma independência de fato.
Os espanhóis também estariam preocupados com as implicações para o País Basco, que enfrentou uma luta separatista por mais de 30 anos e onde a população pode sentir-se encorajada a fazer suas próprias exigências de mais autonomia, levando ao desmembramento da Espanha.
Mas observadores afirmam que o o progresso do programa de autonomia da Catalunha pode ter influenciado a declaração de cessar-fogo anunciada pelo grupo armado separatista basco Eta, no início do ano.
Os resultados do referendo devem ser divulgados ainda neste domingo.