15 de junho, 2006 - 11h39 GMT (08h39 Brasília)
Pelo menos 61 pessoas foram mortas e 41 ficaram feridas em uma explosão em um ônibus no norte do Sri Lanka nesta quinta-feira.
O governo responsabilizou o grupo rebelde Tigres do Tâmil, mas a organização refutou as alegações dizendo que o incidente deve ter sido causado por grupos paramilitares associados com o governo.
A violência no país aumentou desde que as negociações entre as duas partes foram suspensas, em abril.
"Este foi o ataque mais bárbaro dos Tigres", disse Keheliya Rambukwella, porta-voz do governo.
Crianças
O grupo, que já havia atacado posições militares na região, emitiu um comunicado logo após o ocorrido dizendo que "alvejar civis diretamente não pode ser justificado sob nenhuma circunstância".
O governo diz que a explosão foi causada por um tipo de mina usado normalmente pelos Tigres.
"As Forças Armadas estão usando vários grupos paramilitares, que praticam ataques com minas claymore (o tipo usado)", disse S Puleedevan, porta-voz dos Tigres do Tâmil.
O ônibus transportava trabalhadores e estudantes no momento da explosão. Médicos dizem que pelo menos 15 crianças foram mortas.
Após a explosão, o governo do Sri Lanka bombardeou posições do grupo na cidade de Mullaitivu, mas ainda não se sabe as conseqüências deste ataque.
Independência
"Temos que reconsiderar seriamente o acordo de cessar-fogo e reestruturá-lo", disse o porta-voz do governo.
Em maio, os Tigres do Tâmil se recusaram a se encontrar com representantes do governo, na Noruega, alegando falta de segurança.
No mesmo mês, a União Européia colocou o grupo em sua lista de organizações terroristas.
Nos últimos meses, os dois lados vêm responsabilizando um ao outro por vários ataques.
Os Tigres do Tâmil lutam pela independência para a minoria étnica do norte e leste do Sri Lanka. Em duas décadas de conflito, mais de 60 mil pessoas foram mortas.