13 de junho, 2006 - 23h13 GMT (20h13 Brasília)
Israel não teria sido responsável pelo ataque que matou oito palestinos que faziam um piquenique na praia da Faixa de Gaza na semana passada, disse o ministro da Defesa do país, Amir Peretz, nesta terça-feira.
Ele disse que um inquérito realizado pelos israelenses concluiu que uma bomba de Israel não poderia ter causado a explosão, como se pensou inicialmente.
Em um primeiro momento, militares israelenses disseram lamentar a morte de oito civis palestinos na última sexta-feira, sete dos quais integrantes da mesma família, incluindo três crianças, e suspenderam os bombardeios durante a investigação do caso.
A investigação se baseou em imagens de TV posteriores a explosão e estilhaços retirados de sobreviventes feridos.
Culpado
A investigação se concentrou em seis bombas disparadas. Os militares dizem estar certos de que cinco delas atingiram o solo distantes cerca de 250 metros da praia onde a família se encontrava.
Uma das bombas teria errado o alvo, mas a explosão que atingiu o piquenique teria acontecido pelo menos oito minutos depois, dizem os militares.
"As chances de que a artilharia tenha atingido a área são praticamente nulas", disse o general Klifi, responsável pela investigação, ao lado de Peretz.
Eles não disseram, no entanto, o que teria causado a explosão.
Críticas
Um relatório da ONG Human Rights Watch, baseada nos Estados Unidos, disse que a explosão deve ter sido causada por uma bomba israelense.
"Foi sugerido que a família teria sido morta por uma mina, mas esse certamente não é o caso", disse Mark Garlasco, especialista que trabalha junto ao Human Rights Watch.
"Toda evidência aponta para uma bomba de 155 mm."
O governo palestino rejeitou o relatório israelense. A morte dos civis também gerou críticas internacionais a Israel.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu por uma investigação completa do caso.
O grupo militante Hamas, que lidera o governo palestino, encerrou um cessar-fogo informal e disparou foguetes contra alvos israelenses.
A velocidade com que Israel concluiu o inquérito mostra a gravidade do incidente, mas restam dúvidas se ele será convincente, diz o correspondente da BBC em Jerusalém, Nick Childs.