11 de junho, 2006 - 21h03 GMT (18h03 Brasília)
Israel matou dois militantes do Hamas em novos ataques aéreos na Faixa de Gaza neste domingo, horas depois de o grupo militante ter disparado foguetes contra o sul de Israel pelo segundo dia consecutivo.
De acordo com o porta-voz de um hospital de Israel, pelo menos um israelense da cidade de Sderot foi internado com ferimentos graves provocados por um foguete palestino.
O Hamas rompeu uma trégua informal no sábado, lançado o que disse ser seus primeiros ataques contra Israel em 16 meses em retaliação à morte de sete civis palestinos na sexta-feira, aparentemente em uma explosão causada por artilharia israelense.
Segundo o grupo militante, dois membros foram mortos no primeiro ataque israelense deste domingo, nas proximidades da cidade de Beit Lahiya. Um outro militante teria conseguido pular do carro pouco antes de o veículo ser destruído pelo míssil.
Um membro de outro grupo militante, o Jihad Islâmico, foi morto em um outro incidente na cidade de Jabaliya, em Gaza.
Israel diz que as ações visavam militantes que se preparavam para lançar foguetes contra Israel. O Hamas admite que disparou vários foguetes.
O Exército israelense vem atacando locais de onde são lançados foguetes no norte de Gaza há meses, mas ainda não conseguiu conter os disparos.
A explosão na praia de Gaza na sexta-feira aconteceu justamente quando Israel atacava Gaza com artilharia.
Segundo a agência de notícias Reuters, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, expressou "profundos pêsames" pelas mortes, mas acrescentou que o Exército "nunca teve uma política de atacar civis".
Referendo
A escalada da violência complicou ainda mais os esforços do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, para convencer o Hamas a apoiar um plano que implicitamente reconhece o direito de Israel de existir.
Abbas marcou no sábado um referendo para 26 de julho para a população se manifestar sobre o plano. O Hamas, que resiste à idéia de uma consulta popular, qualificou a medida de tentativa de golpe de Estado e disse neste domingo que pretende contestá-la.
O presidente da Autoridade Palestina e os membros do Hamas estão em uma disputa de poder desde o início do ano, quando o grupo militante derrotou a facção de Abbas, o Fatah, em eleições parlamentares.
Em mais um revés para Abbas, dois prisioneiros palestinos que ajudaram a elaborar o plano retiraram os seus nomes do documento.
Os dois prisioneiros, Abdul Khaleq Natsha (Hamas) e Bassam al-Sadi (Jihad Islâmico) - ambos em prisões israelenses - acusaram Abbas de tentar explorar o plano para ganhos políticos.
O Hamas rejeita o plano dos prisioneiros, não aceita o direito de Israel em existir e afirma que o referendo é inconstitucional.
Tecnicamente, como presidente da Autoridade Palestina, Abbas pode destituir o governo do Hamas, mas, do ponto de vista político, ele sairia mais fortalecido com um resultado favorável no referendo.
Plano
O plano de 18 pontos foi elaborado por vários membros de facções palestinas presos por Israel.
Pelo plano um Estado palestino seria criado compreendendo toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e a parte oriental de Jerusalém, nos limites anteriores a ocupação de 1967.
O documento também pede pela continuidade à resistência dentro de territórios ocupados por Israel em 1967, sugerindo que ataques dentro da área internacionalmente conhecida como Israel poderiam acabar.
Segundo uma autoridade palestina, a questão colocada aos palestinos seria "Você concorda com o documento dos prisioneiros ou não?".