06 de junho, 2006 - 19h27 GMT (16h27 Brasília)
Os corpos de 6 mil pessoas, a maioria morta de maneira violenta, chegaram ao principal necrotério da capital do Iraque, Bagdá, neste ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde do país.
O número, que tem aumentado mensalmente, chegou 1,4 mil em maio. Acredita-se que a maioria dos mortos foi vítima de violência sectária.
Mas observadores afirmam que o verdadeiro número de mortos pode ser ainda maior. Isso porque muitas vezes os mortos não são encontrados nem levados para o necrotério. Além disso, as números divulgados nesta terça se referem apenas a capital do país, a maior cidade iraquiana.
Um dos exemplos do grau de violência que vive o Iraque pôde ser conferido nesta terça, quando a polícia informou que foram encontradas nove cabeças decepadas perto de Baquba, ao norte de Bagdá, dias depois de descoberta semelhante o local.
Algumas das cabeças traziam os olhos vendados e já estavam em decomposição, o que sugere que as mortes ocorreram há alguns dias, segundo a polícia.
Não foi revelada a identidade das vítimas.
Sectarismo
O dado sobre mortes no necrotério de Bagdá apareceu em dois jornais locais e foi confirmado à BBC por funcionários que pediram anonimato pois o assunto é delicado.
Uma razão para isso é que representantes do governo temem que informações mais detalhadas sobre estas mortes podem inflamar ainda mais as tensões sectárias, disse o repórter da BBC em Bagdá, Andrew North.
Mas ninguém acredita que estes sejam os números verdadeiros da violência em Bagdá e em volta da cidade, pois muitos corpos não são levados para o necrotério, ou jamais são encontrados, acrescentou North.
Entre as cabeças de oito pessoas encontradas perto de Baquba no sábado, uma pertencia a um pregador sunita da área.
Baquba fica em uma província onde há xiitas e sunitas e onde ataques contra civis têm sido comuns.
Em mais um dia de violência, cinco pessoas morreram e mais de 12 ficaram feridas quando um carro-bomba explodiu perto de onde se realizava um funeral no sudoeste de Bagdá.
Prisioneiros
Também nesta terça-feira, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, disse que ordenou a libertação de 2,5 mil presos contra os quais não há provas incriminatórias.
Maliki definiu a sua decisão como um gesto de reconciliação nacional, mas disse que partidários do ex-presidente Saddam Hussein não seriam beneficiados.
"Aqueles que serão libertados não são seguidores de Saddam Hussein ou terroristas ou qualquer pessoa que tenha sangue nas mãos", disse o premiê em uma entrevista coletiva.
Maliki disse ainda esperar que os libertados não interfiram de forma violenta no processo político, em aparente referência à minoria sunita que mantém boa parte da insurgência contra o seu governo.