05 de junho, 2006 - 13h13 GMT (10h13 Brasília)
Uma milícia islâmica anunciou que tomou a capital da Somália, Mogadíscio, depois de quatro meses de combates com senhores de guerra apoiados pelos Estados Unidos.
Os senhores de guerra controlavam a capital há 15 anos, desde que derrubaram o governo do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991.
O governo interino do país, sediado em Nairobi, no Quênia, por razões de segurança, tem sido impotente para impedir o conflito.
Mas vários somalis afirmam que o apoio dos americanos aos senhores de guerra aumentou o apoio às milícias islâmicas, que restauraram a ordem em partes de Mogadíscio, com tribunais regidos pela lei islâmica (sharia).
Uma reunião está sendo mantida para discutir a rendição dos homens ainda fiéis aos senhores de guerra, de acordo fontes das milícias islâmicas.
Diálogo
O primeiro-ministro interino, Ali Mohammed Ghedi, disse que o governo quer iniciar um diálogo com as milícias islâmicas.
Ghedi demitiu quatro senhores de guerra que vinham trabalhando como ministros. Os quatro teriam fugido da cidade e estariam planejando deixar o país.
O conflito deste ano na capital foi o mais sério por mais de 10 anos, com mais de 220 pessoas mortas nos últimos 30 dias.
Em um comunicado lido nas rádios locais, o líder dos tribunais islâmicos, Sheikh Sharif Sheikh Ahmed, disse que o controle de Mogadíscio por senhores de guerra havia acabado e pediu aos moradores da cidade que aceitem a nova liderança.
"Os Tribunais Unidos Islâmicos não estão interessados na continuação das hotilidades e vão implementar paz e segurança depois da mudança trazida pela vitória do povo que apóia Alá", disse.
ONU
No sábado, funcionários da ONU saíram de Jowhar, a 90km de Mogadíscio, por causa do risco do conflito chegar até lá.
A violência começou no início do ano, quando um grupo de senhores de guerra, que tinham dividido a cidade em feudos, se uniu para formar a Aliança Anti- Terrorismo, para lutar contra os tribunais islâmicos, que eles acusar de proteger mitantes da Al-Qaeda.
As cortes islâmicas negam a acusação. Elas foram criadas por na capital por comerciantes para tentar restabelecer a lei e a ordem em uma cidade sem sistema judiciário.
No mês passado em Mogadíscio, uma multidão assistiu um adolescente esfaquear o homem que matou o seu pai, depois que o assassino foi condenado à morte.
Os tribunais islâmicos vêm acusando há meses a Aliança Anti-Terror de ser financiada pelos Estados Unidos.
O governo americano diz que apenas apóia os que tentam impedir a ação do que (os americanos) consideram ser terroristas, apesar de haverem ressaltado o compromisso com o governo de transição.
Analistas afirmam que não estão inteiramente a par das fontes de financiamento das milícias islâmicas, mas apontam para a Arábia Saudita e para muçulmanos abastados.
As milícias também são populares entre a população somali.