04 de junho, 2006 - 05h55 GMT (02h55 Brasília)
O presidente da Bolívia, Evo Morales, iniciou neste sábado na cidade de Santa Cruz de la Sierra o programa de reforma agrária prometido durante sua campanha eleitoral.
Morales entregou a comunidades de camponeses indígenas o equivalente a mais de 30 mil quilômetros quadrados de terras do governo.
O presidente deu início à distribuição depois que as negociações com os proprietários de terras fracassaram.
Os fazendeiros prometeram agir para impedir que a transferência da posse das terras se concretize.
Resistência
Milhares de camponeses foram ao centro de Santa Cruz para acompanhar o lançamento do programa de reforma agrária.
Eles gritavam slogans e agitavam bandeiras com as cores do arco-íris que simbolizam a resistência indígena.
O correspondente da BBC, James Read, diz que a cidade de Santa Cruz não foi escolhida para o lançamento do programa por acaso. É em Santa Cruz que fica localizada a sede da federação dos proprietários de terras da Bolívia, a principal opositora ao projeto de reforma agrária.
Quando as negociações com o governo fracassaram, os líderes ruralistas advertiram que os fazendeiros vão formar seus próprios grupos para a defesa de suas propriedades.
Desapropriação
Mas as ameaças não sensibilizaram o presidente Evo Morales.
Segundo o presidente, os fazendeiros têm que aceitar o fato de que as terras que possuem foram roubadas dos índios durante a colonização espanhola, há cerca de 500 anos e, portanto, devem ser devolvidas às comunidades indígenas.
As terras cedidas aos camponeses neste sábado pertenciam ao Estado, mas o presidente disse que o governo pretende desapropriar terras improdutivas para poder cumprir as metas do programa de reforma agrária.
O programa de Evo Morales prevê a distribuição aos camponeses de 20% do território boliviano nos próximos cinco anos.