03 de junho, 2006 - 23h05 GMT (20h05 Brasília)
Guila Flint
Cerca de 1.500 israelenses saíram às ruas de Tel-Aviv, neste sábado, exigindo que o governo de Israel inicie um diálogo imediato com o novo governo palestino, liderado pelo Hamas.
Os manifestantes pediam também que os Estados Unidos e a União Européia suspendam o boicote econômico que impõem à Autoridade Palestina.
A manifestação, que marcou 39 anos desde que Israel ocupou os territórios palestinos na guerra de 1967, foi organizada por uma coalizão de 12 grupos, inclusive partidos politicos, movimentos pacifistas e organizações de direitos humanos.
Os manifestantes marcharam da Praça Rabin, no centro da cidade, até o Museu de Tel Aviv onde realizaram um comício, com a participação de lideres da esquerda israelense, artistas e intelectuais.
"Basta!"
"Basta de boicote, cerco e punição ao povo palestino!", "39 anos de ocupação – basta!", "negociações imediatas com os representantes eleitos do povo palestino", diziam os cartazes dos manifestantes.
Uma das oradoras, a ex-ministra da Educação Shulamit Aloni, disse à BBC Brasil: "o governo de Israel diz que não quer dialogar com o Hamas pois considera o grupo terrorista, mas temos que encarar os fatos, a proporção das vitimas entre israelenses e palestinos é de um para dez, o exército israelense comete mais ataques terroristas do que os terroristas palestinos, as execuções extra-judiciais cometidas pelo exército israelense viraram rotina".
"Se Israel realmente quer paz, tem que falar com a liderança palestina eleita, e não vai poder ignorar o Hamas".
Quando subiu ao palanque, Aloni, de 78 anos, disse ao público: "somos poucos hoje, mas não desanimem, em breve seremos muitos e a paz virá".
Moinhos de vento
Porém, havia um clima de desânimo entre os manifestantes.
"Não tenho muitas esperanças de que nosso protesto possa mudar a realidade. É como se estivessémos lutando contra moinhos de vento", disse o estudante de Fisica, Yuval Laor, "mas este boicote à Autoridade Palestina está fazendo um povo inteiro passar fome. Senti que não podia ficar em casa. Minha motivação para participar desta manifestação foi emocional e moral".
O historiador Herzl Schubert disse que foi à manifestação para exigir "que esta ocupação finalmente acabe".
"Tambem quero que derrubem o Muro o quanto antes", acrescentou Schubert.
O sociólogo da Universidade de Tel-Aviv, Yehuda Shenhav, afirmou: "a sociedade israelense vive imersa em suas próprias mentiras. Diz que é a única democracia do Oriente Médio, mas que democracia é esta que mantém um povo inteiro sob ocupação militar há quase 40 anos?", perguntou ele.