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03 de junho, 2006 - 23h53 GMT (20h53 Brasília)

Marcia Carmo, enviada especial a Lima

Partido de Humala será o maior do Congresso.

Quase dois meses após as eleições legislativas, realizadas com o primeiro turno do pleito presidencial, no dia nove de abril, a Justiça Eleitoral peruana concluiu a apuração dos votos, revelando que o partido de Ollanta Humala, UPP, terá o maior n+umero de cadeiras no Congresso Nacional.

O “União Pelo Peru” (UPP) conquistou 45 das 120 cadeiras do Parlamento – que é unicameral.

O anúncio do resultado ocorre um dia antes do segundo turno da votação para a escolha do novo presidente do Peru.

Humala está em segundo lugar nas pesquisas de opinião, que apontam a liderança do ex-presidente, Alan García. O partido de Alan García ficou com 35 cadeiras.

Alianças

O resultado obrigará o vencedor a negociar com outras legendas para conseguir maioria (pelo menos sessenta e um votos) para aprovar os projetos do governo.

O partido de Humala é mais uma nova força na política peruana. Assim como foram “Cambio 90”, criado pelo ex-presidente Alberto Fujimori, e “Peru Possível”, criado pelo atual presidente Alejandro Toledo.

Nos dois casos, os partidos foram perdendo cadeiras no Parlamento à medida que os governos terminavam.

Ainda assim, terão representação na nova composição do Congresso.

Estrela Vermelha

O histórico “Apra”, partido de García, é, segundo analistas, o único que tem infra-estrutura tradicional partidária.

Com mais de setenta e cinco anos de existência, o partido, que tem como símbolo uma estrela vermelha, poderá voltar ao poder depois de dezesseis anos.

García, representante fiel do “aprismo” foi presidente entre 1985 e 1990.

Mas o resultado da última eleição legislativa mostra que se o ex-presidente for eleito deverá negociar com outras as forças políticas, só assim poderá superar a provável oposição dos “humalistas”, cuja legenda reúne representantes dos plantadores da folha de coca, como lembrou o professor de política econômica da universidade de San Marcos, Carlos Aquino.

Maioria

No governo anterior, García teve maioria no Congresso Nacional.

Segundo o cientista político Luis Benavente, da Universidade de Lima, caso eleito Alan García deverá apelar ao apoio dos “fujimoristas”, “toledistas” (do atual presidente Alejandro Toledo) e ao partido da ex-presidenciável Lourdes Flores, do Unidade Nacional.

No novo Congresso peruano, que toma posse no dia 28 de julho com o próximo presidente, a legenda Unidade Nacional, de Lourdes Flores, contará com dezessete parlamentares.

A “fujimorista” Aliança para o Peru (AF - iniciais do ex-presidente Alberto Fujimori) terá treze cadeiras e será a quarta força do Parlamento.

Já o Peru Possível, de Toledo, duas cadeiras. As outras cadeiras estão divididas por partidos menores, como o Restauração Nacional, do pastor Humberto Lay.