31 de maio, 2006 - 17h57 GMT (14h57 Brasília)
A agência exportadora de armas da Rússia confirmou nesta quarta-feira que está negociando o licenciamento da fabricação de rifles Kalashnikov na Venezuela.
Na terça-feira, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmara que a Rússia planeja construir duas fábricas de munição no país.
O governo de Moscou já tinha fechado um acordo de venda de 100 mil rifles Kalashnikov para a Venezuela.
Chávez já afirmou que planeja armar 1 milhão de venezuelanos.
A decisão da Rússia deve causar preocupação em Washington, onde o presidente Chávez é considerado uma força desestabilizadora na região.
Em maio, o departamento de Estado americano proibiu a venda de armas para a Venezuela, alegando temer os contatos de Chávez com os governos do Irã e de Cuba e denunciando a suposta falta de apoio do país sul-americano ao combate do terrorismo .
Energia
Chávez anunciou o negócio com a Rússia durante uma visita ao Equador, onde assinou assinar uma série de acordos no setor energético.
"Os russos vão instalar uma fábrica de rifles Kalashnikov e uma fábrica de munição. Assim vamos poder defender cada rua, cada morro, cada esquina", afirmou o presidente.
A agência de exportação de armas russa Rosoboronexport confirmou que as negociações estão em andamento, mas não revelou detalhes sobre o cronograma ou a capacidade de produção da fábrica, de acordo com a agência de notícias Associated Press.
Chávez também disse que os primeiros 30 mil rifles Kalashnikov do lote comprado devem chegar à Venezuela em junho.
A informação foi confirmada pela agência russa.
Analistas dizem que os Estados Unidos estão preocupados com as iniciativas armamentistas da Venezuela.
Em abril, o país recebeu três helicópteros militares russos de um lote de 15 encomendados à Rússia.
De acordo com Chávez, as aeronaves vão ajudar a proteger a Venezuela de um eventual ataque americano.
O governo venezuelano já afirmou diversas vezes que os americanos estão tentando desestabilizar Chávez. Washington refuta as alegações.