30 de maio, 2006 - 16h24 GMT (13h24 Brasília)
O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, anunciou nesta terça-feira que está assumindo o controle único sobre o Exército, em meio a medidas emergenciais para conter a crise no país.
O presidente disse que a decisão foi tomada em acordo com o primeiro-ministro do Timor, Mari Alkatiri, que muitos acusam de ter iniciado a atual crise por ter demitido quase metade dos soltados do Exército.
Xanana Gusmão – tido como um herói da independência do país – tinha um papel mais cerimonia do que o premiê no governo timorense. No entanto, as regras de emergência anunciadas nesta terça mudam essa condição e concentram poderes na sua mão.
Ele passou a coordenar também o trabalho do governo e da parte remanescente do Exército timorense com as tropas de paz, lideradas pela Austrália.
Destruição
O anúncio feito por Gusmão ocorreu em meio a um novo dia de violência no Timor
Nesta terça, gangues de jovens armados com facas saquearam o arquivo criminal do país, levando documentos de casos importantes como o massacre de timorenses por tropas pró-Indonésia após o plebiscito que estabeleceu a independência do país, em 1999.
Segundo o procurador-geral do Estado, Longuinhos Monteiro, entre os arquivos que desapareceram estão alguns referentes ao ex-general Wiranto, o ex-comandante das Forças Armadas da Indonésia na época.
Ele foi indiciado por procuradores por abuso de direitos humanos.
Monteiro disse não saber se os documentos foram roubados intencionalmente ou não.
Violência
O vencedor do prêmio Nobel da Paz e atual ministro das Relações Exteriores, José Ramos Horta, disse que o governo falhou ‘miseravelmente’ em prevenir a crise e culpou o premiê Mari Alkatiri.
Mesmo cinco dias após a chegada de tropas estrangeiras a violência continua.
Muitos prédios e veículos foram queimados e lojas vêm sendo saqueadas pela população que está vendo seus estoques de comida acabarem.
Milhares de pessoas já abandonaram suas casas, e agências assistenciais estão alertando para uma grave crise que pode atingir a população do país.
Além da onda de saques, gangues de jovens armadas com facões têm surgido na cidade, contribuindo para a violência.
O estopim para a onda de violência que começou na semana passada teria sido a demissão de 600 soldados no mês de março. O número representa cerca de 40% do efetivo total. Eles protestavam contra o que chamaram de discriminação.
Pelo menos 20 pessoas já foram mortas nos conflitos.