24 de maio, 2006 - 12h02 GMT (09h02 Brasília)
O ex-ministro do Exterior e ex-vice-primeiro-ministro iraquiano Tariq Aziz depôs nesta quarta-feira no julgamento do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein.
Aziz foi uma das testemunhas da defesa - Saddam e outros sete ex-integrantes de seu governo estão sendo julgados pelo assassinato de 148 xiitas em Dujail.
O ex-ministro disse que nenhum deles é culpado "porque puniram aqueles que tentaram assassinar o chefe de Estado".
Todos os réus se declararam inocentes pelo massacre, ocorrido após uma tentativa de assassinato contra Saddam, em 1982.
Pijamas
Segundo a agência de notícias Associated Press, Aziz inverteu as acusações, afirmando que os membros do partido xiita Dawa - que ele acusa de serem responsáveis pela tentativa de assassinato - deveriam estar sendo julgados.
Os líderes do Dawa se tornaram os líderes do novo governo iraquiano, entre eles o atual primeiro-ministro, Nouri Maliki, e seu predecessor, Ibrahim al-Jaafari.
Aziz compareceu ao tribunal vestindo um pijama e com aparência pálida.
Ele se queixou da saúde ruim e vem pedindo para ser liberado temporariamente da custódia americana, para receber tratamento médico.
Falando com a voz rouca, o ex-ministro do Exterior iraquiano disse que a tentativa de assassinato em Dujail foi "parte de uma série de ataques e tentativas de asassinatos por este grupo (Dawa), inclusive contra mim.
Aziz afirmou que as prisões foram em resposta à tentativa de assassinato.
"Se o chefe de Estado é atacado, o Estado tem a obrigação, por lei, de tomar alguma medida. Se os suspeitos são presos com armas, é apenas natural que sejam presos e julgados", disse Aziz.
O ex-ministro do Exterior iraquiano se entregou às forças americanas em 2003 e ainda não foi formalmente acusado de nada.
Advogada
A sessão do julgamento começou com o juiz presidente Rauf Abdel Rahman advertindo a advogada de defesa Bushra Khalil, que foi expulsa do tribunal na segunda-feira.
Logo depois da advertência, no entanto, ela voltou a desafiar o juiz sobre quando poderia falar e foi, mais uma vez, retirada do ercinto.
Assim como na segunda-feira, ela jogou os trajes de tribunal no chão e saiu gritando da corte, levada pelos guardas de segurança.