23 de maio, 2006 - 15h29 GMT (12h29 Brasília)
O presidente da Sérvia, Boris Tadic, disse nesta terça-feira que aceita o resultado do referendo em que os moradores de Montenegro optaram pela independência e pelo fim da união com a Sérvia.
Na primeira reação oficial da Sérvia, Tadic disse a jornalistas em Belgrado que apoiava a preservação do Estado conjunto, mas afirmou que, como um líder democrático, reconhece a opção dos montenegrinos.
O resultado final, cuja divulgação foi adiada por conta de uma disputa sobre votos na capital, Podgorica, mostra que 55,5% dos eleitores votaram pela separação da Sérvia.
Eram necessários 55% dos votos para a vitória da independência.
Recontagem
A Comissão Européia disse que Montenegro pode começar a negociar uma aproximação com a União Européia e uma eventual adesão ao bloco.
Segundo o chefe da comissão do referendo, Frantisek Lipka, os resultados preliminares completos mostram que 55,5% dos eleitores votaram pela independência, enquanto 44,5% optaram por permanecer como parte da Sérvia.
Os resultados serão declarados definitivos no sábado, depois de passado o prazo para que possam ser questionados. O comparecimento às urnas foi de 86,3%.
Vários líderes do bloco pró-união com a Sérvia pediram a recontagem dos votos em 37 sessões eleitorais da capital, mas Lipka rejeitou as queixas.
O resultado final também foi bem recebido pelos observadores do Parlamento Europeu e da presidência da União Européia, atualmente com a Áustria.
Novo país
Montenegro votou no domingo pela separação do que é chamado hoje do Estado da Sérvia e Montenegro.
O resultado acabou com este estado, o último vestígio da federação de repúblicas que um dia foi a Iugoslávia.
A questão da independência dividiu profundamente os montenegrinos, com os opositores argumentando que ela vai prejudicar as ligações econômicas, familiares e políticas com a Sérvia.
O país, que tem uma população de cerca de 700 mil habitantes, passa a ser o mais novo Estado a emergir das antigas repúblicas e províncias que compunham a Iugoslávia – os outros são a Eslovênia, a Croácia e a Bósnia-Herzegóvina.
Políticos sérvios, líderes da igreja Ortodoxa e montenegrinos das regiões montanhosas no interior da província se opuseram à separação.
Mas grande parte dos montenegrinos e albaneses das regiões costeiras na província eram favoráveis à independência, entre eles o primeiro-ministro Djukanovic.
Com a independência, o estado da Sérvia herda o direito sobre Kosovo - que está sob administração da ONU - cujo futuro status deverá ser decidido no fim do ano.
A Sérvia, no entanto, vai perder o acesso ao Mar Adriático, e o direito especial de acesso deixará Montenegro em uma posição fortalecida nas negociações pela divisão dos bens da união, segundo ocorrespondente da BBC na região.