20 de maio, 2006 - 23h45 GMT (20h45 Brasília)
A formação do novo governo iraquiano, aprovada neste sábado pelo parlamento do país, foi elogiada pelos principais líderes mundiais.
O novo governo aprovado pelo parlamento iraquiano após meses de indefinição e de violência sectária, inclui membros de partidos xiitas, curdos e sunitas.
O novo governo é o primeiro permanente desde a invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2003.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que a aprovação do novo gabinete representa “uma oportunidade para o progresso”.
Bush disse que o novo gabinete reflete a diversidade do Iraque e abre uma nova página na história do país. O presidente americano afirmou, no entanto, que ainda existem muitos desafios para o novo governo.
Esse também foi o alerta dado pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair. “As dificuldades continuam e é importante que nós apoiemos - que toda a comunidade internacional apóie - este governo eleito democraticamente", declarou.
O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, afirmou que o governo de união nacional vai ajudar a trazer segurança e estabilidade ao Iraque.
O rei da Jordânia, Abdullah 2º, disse esperar que a aprovação “preencha as aspirações do povo iraquiano por uma vida melhor, por democracia, pluralismo e uma unidade nacional mais forte”.
Consenso
A aprovação do novo governo ocorreu sem que os parlamentares chegassem a um consenso em relação aos titulares em três ministérios: Interior, Defesa e Segurança Nacional.
Por enquanto, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, um xiita, irá acumular o cargo de ministro do Interior. O vice-primeiro-ministro, Salam Zaubai, um sunita, comandará o ministério da Defesa.
O cientista nuclear e muçulmano xiita Hussain al-Shahristani assumirá o posto de ministro do Petróleo.
Em um discurso após a aprovação do novo governo, Maliki prometeu curar as feridas do sectarismo e disse que os iraquianos devem “denunciar o terrorismo” e buscar “um prazo objetivo” para que as forças internacionais deixem o país.
Ele disse ao parlamento que os iraquianos precisam se unir em um espírito de amor e tolerância e “fechar as divisões que apareceram por causa do sectarismo”.
Maliki expôs um programa de governo de 34 pontos que inclui o combate ao terrorismo, a integração de milícias na estrutura de segurança e a recuperação da infra-estrutura de eletricidade e água.
Protestos
Antes que o premiê Maliki pudesse anunciar o seu gabinete, formado por 37 pessoas, o líder de um partido sunita tomou o microfone para protestar contra a maneira que foram conduzidas as negociações para definir os nomes para os diferentes cargos.
Em seguida, o chefe de um dos maiores partidos sunitas do Iraque abandonou o Parlamento. Ele protestava contra o fato de que as pastas da Defesa e do Interior contam com titulares provisórios.
Após os protestos, Maliki finalmente conseguiu anunciar os nomes dos novos ministros. Membros do Parlamento, formado por 275 representantes, aplaudiam a medida que o premiê ia lendo os nomes que formam o novo gabinete.
Atentado
Poucas horas antes da votação no Parlamento, um atentado a bomba em uma área predominantemente xiita da capital iraquiana, Bagdá, matou pelo menos 19 pessoas e feriu diversas outras.
O atentado aconteceu neste sábado na região conhecida como Sadr City e deixou também 58 pessoas feridas. Segundo a polícia, a bomba foi deixada em uma área em que costumam se concentrar pessoas em busca de trabalho.
A escolha de uma área de maioria muçulmana xiita para realizar o atentado reitera a tendência de militantes em tentar estimular atos sectários de violência, jogando as comunidades islâmicas sunita e xitta uma contra a outra.
A contínua dificuldade do atual governo em chegar a um acordo sobre a composição do novo governo em meio a um número cada vez maior de atentados violentos despertou temores de que o país pudesse estar mergulhando em uma guerra civil.