19 de maio, 2006 - 04h00 GMT (01h00 Brasília)
Dois policiais foram feridos em um tiroteio entre facções palestinas na Cidade de Gaza, na Faixa de Gaza.
A polícia, que apóia o partido Fatah, afirmou que foi atacada por uma força liderada por militantes, estabelecida pelo novo governo liderada pelo grupo Hamas, uma acusação que o Hamas nega.
O choque ocorreu depois que as duas forças de segurança adversárias caminharam pelas ruas da cidade em uma demonstração de força.
A rivalidade entre o Fatah e o Hamas se intensificou desde a vitória do Hamas nas eleições parlamentares em janeiro.
O Hamas rejeitou os pedidos do líder palestino Mahmoud Abbas para retirar sua força, enviada para a Faixa de Gaza na quarta-feira.
O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniya, que é do Hamas, disse que a nova força de segurança é legalizada e vai dar apoio para a polícia e para o povo palestino.
Os últimos choques ocorreram perto do Parlamento, na Cidade de Gaza, no início da madrugada de sexta-feira, segundo a agência de notícias Associated Press.
Autoridades disseram à agência que dois policiais foram baleados nas pernas e os ferimentos não eram sérios.
'Autoridade Paralela'
O correspondente da BBC na região Alan Johnston afirmou que ainda não se sabe a causa exata dos choques, mas o incidente não causou surpresa devido à atual situação.
Os choques recentes entre membros armados dos dois grupos deixaram cinco mortos na Faixa de Gaza.
Na quinta-feira milhares de policiais da já existente força policial palestina, leal ao Fatah, marcharam pelas ruas da cidade de Gaza, cantando slogans de apoio a Abbas.
Segundo informações estes policiais batiam palmas e assobiavam quando passaram por atiradores da nova força estabelecida pelo Hamas.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse na quinta-feira que a rivalidade entre as duas forças criou uma situação "muito tensa" e acrescentou que as forças de segurança deveriam ser colocadas sob o controle do líder palestino Mahmoud Abbas.
"O presidente Abbas, que nós acreditamos ter a confiança do povo palestino, deve ser capaz de exercer suas responsabilidades", disse.
Saeb Erekat, importante conselheiro de Abbas, disse à BBC que o Hamas deve desmantelar esta sua nova força de segurança.
"Acredito que estamos em uma situação 'panela de pressão'. Não queremos que nada aumente o problema ou piore ainda mais a situação", disse.
Operação
O governo palestino liderado pelo Hamas anunciou que a nova força de segurança – formada por militantes do grupo – começaria a operar na quarta-feira.
A criação da força havia sido anunciada em abril e foi vista como um desafio às tentativas do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de assumir um controle mais rigoroso sobre as forças de segurança palestinas – Abbas chegou inclusive a vetar a criação da nova força.
A nova força conta com 3 mil voluntários, principalmente saídos do braço armado do Hamas e de outras facções militantes ligadas ao grupo. Segundo um porta-voz do Ministério do Interior, ela prestará contas exclusivamente ao ministro Said Syam.
A força é liderada por Jamal Abu Samhadana, um militante procurado por Israel por fazer ataques no país.