17 de maio, 2006 - 23h47 GMT (20h47 Brasília)
As empresas estrangeiras que administram os fundos de pensão do setor petrolífero na Bolívia cederam ao ultimato dado pelo governo na segunda e aceitaram entregar as ações que estavam sendo exigidas pelo presidente Evo Morales.
O Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) da Espanha e o Zurich Financial Services da Suíça, anunciaram em separado que entregarão as ações que administram em três fundos de empresas nacionalizadas e que passam ao controle da estatal boliviana YPFB.
Os presidentes das filiais dos dois grupos, Ildefonso Núñez, da Prevision-BBVA, e Gonzalo Bedoya, da Futuro-Zurich, declararam que estavam dispostos a responder favoravelmente ao pedido do governo.
O vice-presidente García Linera havia dado três dias às empresas para que entregassem as ações.
Apelação
Mesmo assim, é possível que elas apelem. De acordo com a imprensa boliviana, a Futuro de Bolívia-Zurich estaria pensando em entrar com um processo legal contra o governo.
Gonzalo Bedoya disse à imprensa que "em princípio não temos alternativa que não seja cumprir o decreto 28711, mas nos reservamos o direito que a lei nos confere para buscar transparência e constitucionalidade".
A Previsión-BBVA, por sua vez, havia dito que iria entregar as ações como pediu o governo, sem pedir indenização alguma.
Em declarações ao jornal La Razón, Ildefonso Núñez afirmou que "nossa posição foi unir uma série de posições para garantir a segurança dos bolivianos".
Alguns analistas econômicos acreditam que estas empresas não teriam direito à indenização, porque não são proprietárias, mas gestoras das ações.
Em teoria, as ações pertencem aos cidadãos bolivianos maiores de 21 anos e que o Estado passa a administrar.